Questão FC217623
Para responder à questão, leia o texto em que Alfredo Bosi comenta a prosa de Guimarães Rosa e ilustra com trecho do próprio escritor: Sujeito e objeto opõem-se na aparência, mas n
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2025
Para responder à questão, leia o texto em que Alfredo Bosi comenta a prosa de Guimarães Rosa e ilustra com trecho do próprio escritor:
Sujeito e objeto opõem-se na aparência, mas no fundo partilham de algo infinitamente mutável: o devir:
“É e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é… Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens.
Mire e veja: o mais importante e bonito, do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.”
(Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira, 2015)
Do ponto de vista da análise linguística, a relação entre sujeito e objeto materializa-se com
- a pontuação conforme a norma-padrão.
- o emprego de adjetivação abundante.
- a recorrência a expressões nominais indefinidas.
- o uso de expressões redundantes e pleonasmos.
- a combinação de ideias contrárias.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A resposta E destaca a combinação de ideias contrárias como recurso que materializa a relação sujeito–objeto no trecho.
Guimarães Rosa articula pares como “é e não é”, “ache e não ache”, “afinam e desafinam”, criando uma alternância simultânea de afirmação e negação.
Linguisticamente, isso funciona como antítese e paradoxo: oposições colocadas lado a lado geram tensão semântica e mostram que identidades são mutáveis — o devir referido por Bosi.
Em vez de negar coerência, a sobreposição de contrários revela coexistência de traços opostos numa mesma entidade, produzindo sentido sobre a complexidade das pessoas e suas mudanças.
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