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Questão FC217624

É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder à questão.

 

Você deixa tudo para depois?

 

É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?

 

Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.

 

A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.

 

“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.

 

Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.

 

De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.

 

Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.

 

(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/

voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-

problema/. Adaptado)

 

Assinale a alternativa que, de acordo com as informações do texto, traz a afirmação correta a respeito da procrastinação.

  1. Segundo a neurobiologia, por enquanto não há comprovações de que ela seja decorrente de modificações na estrutura e funcionamento cerebrais.
  2. Na área da psiquiatria, há estudos que têm constatado o aumento do número de indivíduos que sofrem com a ansiedade provocada pela procrastinação.
  3. Apresenta distúrbios mentais irreversíveis, sequela comum em pessoas que eventualmente procrastinam.
  4. Caracteriza-se por comportamento próprio daqueles que adiam determinadas tarefas, substituindo-as por outras mais urgentes e essenciais.
  5. Define-se como um comportamento humano surgido neste século e que afeta, sobretudo, indivíduos que não vivem em metrópoles.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa indica corretamente que, do ponto de vista da neurobiologia, não há comprovação de que a procrastinação decorra de alterações estruturais ou de funcionamento do cérebro.

No texto, o psiquiatra Kanomata afirma que, apesar de existirem estudos sobre comportamento, “ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração” neurobiológica que explique o ato de procrastinar — razão direta para a escolha da alternativa.

Isso significa que há evidências comportamentais sobre a procrastinação, mas nenhuma prova conclusiva de mudança cerebral causadora. Em termos práticos, devemos distinguir explicações psicológicas e contextuais de causas neurológicas comprovadas.

Portanto, a alternativa resume com fidelidade a posição dita no texto: a hipótese neurobiológica permanece não comprovada até novas evidências.

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