Questão FC217626
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão.
Você deixa tudo para depois?
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?
Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.
A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.
“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.
Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.
De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.
Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.
(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/
voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-
problema/. Adaptado)
Pela leitura do texto, pode-se afirmar corretamente que a autora
- dá prioridade, tratando-se da discussão acerca do que é procrastinação, ao seu ponto de vista sobre o tema.
- emprega linguagem formal e técnica, pois direciona o texto exclusivamente a profissionais da área da saúde.
- inclui parecer de especialistas, que atuam em instituições renomadas, para dar credibilidade às informações expostas.
- utiliza predominantemente linguagem informal, caracterizada por não seguir rigorosamente as regras gramaticais.
- omite a significação de termos essenciais, o que torna ambígua a compreensão do texto para os leitores.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A autora recorre a especialistas — a neurocientista Karina Abrahão (Unifesp) e o psiquiatra Elton Kanomata (Hospital Israelita Albert Einstein) — e registra suas filiações. Essa escolha editorial visa reforçar a credibilidade das informações apresentadas.
Ao citar profissionais vinculados a instituições renomadas, o texto utiliza o chamado argumento de autoridade: a opinião de quem tem formação e prática na área sustenta as afirmações sobre causas, consequências e tratamentos relacionados à procrastinação.
Esse recurso não substitui evidências científicas, mas confere peso às observações e ajuda o leitor a confiar nas conclusões expostas no texto.
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