Questão FC217627
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão.
Você deixa tudo para depois?
É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?
Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.
A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.
“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.
Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.
De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.
Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.
(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/
voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-
problema/. Adaptado)
Pode-se concluir corretamente que os questionamentos feitos pela autora em – Você deixa tudo para depois? – e – Quem nunca fez isso? – têm por objetivo:
- propor aos leitores uma conduta que siga padrões morais e éticos.
- mencionar atitudes com as quais os leitores podem se identificar.
- criticar aqueles leitores que deixam tudo para depois.
- solicitar a opinião dos leitores sobre as contradições presentes no texto.
- expor aos leitores dúvidas que persistem acerca do que é procrastinar.
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Gabarito
B
Comentário do professor
As perguntas “Você deixa tudo para depois?” e “Quem nunca fez isso?” funcionam como questões retóricas cuja intenção é provocar imediata identificação do leitor com o tema.
Ao evocar comportamentos cotidianos (por exemplo, checar redes sociais ou mensagens), o texto cria uma sensação de proximidade e reconhecimento: o leitor percebe que o assunto o envolve pessoalmente e que não se trata de um caso isolado.
Esse recurso aumenta o engajamento e estimula a reflexão, preparando o leitor para receber informações e explicações sobre procrastinação sem exigir resposta direta. Assim, o objetivo é justamente mencionar atitudes com as quais o público pode se identificar.
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