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Brincar: distração e necessidade Brincadeiras, ainda que vistas como mera distração, desenvolvem várias habilidades, ou seja, brincar é uma necessidade. “Na interação com outras cr

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Brincar: distração e necessidade

 

Brincadeiras, ainda que vistas como mera distração, desenvolvem várias habilidades, ou seja, brincar é uma necessidade.

 

“Na interação com outras crianças, é necessário olhar no olho, esperar o outro falar, escutar o que ele tem a dizer e pensar juntos em uma mesma brincadeira”, explica Aline De Rosa, especialista em desenvolvimento infantil.

 

Segundo a psicopedagoga Neide de Aquino, da PUC de São Paulo, ao brincar, os pequenos aprendem sobre eles mesmos, descobrem em quais atividades têm maior aptidão e em quais sentem mais dificuldade. Eles entram em contato com suas preferências ao descobrir do que gostam ou não de brincar.

 

Esse autoconhecimento envolve emoções. É comum que, durante uma brincadeira, a criança precise lidar com o sentimento de frustração. Seja porque perdeu em algum jogo ou porque não conseguiu executar determinada brincadeira, mas a frustração pode ser positiva, desde que os pequenos aprendam a superá-la. E os adultos devem ajudar as crianças nessa tarefa.

 

Não são apenas as crianças que participam das brincadeiras. Pais, responsáveis e cuidadores também devem fazê- lo, mas com prudência. Isso porque a função dos adultos é a de ser um facilitador das brincadeiras, mas sem estimular competição, punir ou fazer comparações. O mais indicado é dar autonomia à criança para que ela decida a forma como vai brincar. “A criança precisa brincar no tempo dela e não no tempo do adulto”, afirma Neide.

 

Para Aline, “Brincar é aquilo que acontece de forma livre, que a criança determina o que será feito e como será feito”. E isso não é o que acontece com as telas. “As imagens chegam prontas para a criança. Ela não precisa criar, se movimentar, nem se relacionar com nada ou ninguém. Sem nenhum esforço, ela recebe uma enorme carga de prazer.” Esse comportamento pode diminuir a criatividade. “São crianças que podem ver muitos brinquedos na sua frente e não vão saber o que fazer, porque nada é tão fácil quanto olhar para uma tela”, afirma a especialista.

 

Foi na tentativa de fugir desses efeitos que Stella C. adotou o hábito de passear com o filho, visitando praças, teatros, bibliotecas e exposições. O resultado, conforme ela conta, é que seu filho de 3 anos mal sente falta de televisão, celular e tablets.

 

Foi na tentativa de fugir desses efeitos que Stella C. adotou o hábito de passear com o filho, visitando praças, teatros, bibliotecas e exposições. O resultado, conforme ela conta, é que seu filho de 3 anos mal sente falta de televisão, celular e tablets.

 

(Guilherme Santiago. https://www.estadao.com.br/ saude/por-que-e-importante-propor-brincadeiras-variadas-para-o- -desenvolvimento-das-criancas/?utm_source=estadao:mail. Adaptado)

 

Com base no texto, em relação ao processo de autoconhecimento das crianças, é correto concluir que os adultos devem

  1. recusar-se a participar das brincadeiras, deixando para as crianças a tarefa de administrar eventuais frustrações.
  2. organizar as brincadeiras de modo a valorizar o desempenho individual das crianças, incitando contendas e rivalidades.
  3. poupar as crianças das frustrações, ensinando-as a executar brincadeiras mais perigosas e arriscadas.
  4. estabelecer o tipo de brincadeira e o tempo destinado a ela, a fim de permitir que as crianças participem igualmente.
  5. esclarecer às crianças que as brincadeiras geram emoções agradáveis e desagradáveis e que estas últimas podem ser superadas.
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Errado

Comentário do professor

O texto afirma que, ao brincar, a criança vivencia sentimentos diversos e constrói autoconhecimento. Por isso, os adultos devem deixar claro que as brincadeiras provocam emoções agradáveis e desagradáveis e que as desagradáveis — como a frustração — fazem parte do processo e podem ser superadas.

Esse esclarecimento não significa resolver a emoção pela criança, mas facilitar seu aprendizado emocional: nomear sentimentos, apoiar a tentativa de superá‑los e promover estratégias de enfrentamento. Ao agir assim, o adulto ajuda a criança a desenvolver resiliência, mantendo-lhe autonomia na brincadeira e respeitando seu tempo.

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