Questão FC217651
Brincar: distração e necessidade Brincadeiras, ainda que vistas como mera distração, desenvolvem várias habilidades, ou seja, brincar é uma necessidade. “Na interação com outras cr
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Brincar: distração e necessidade
Brincadeiras, ainda que vistas como mera distração, desenvolvem várias habilidades, ou seja, brincar é uma necessidade.
“Na interação com outras crianças, é necessário olhar no olho, esperar o outro falar, escutar o que ele tem a dizer e pensar juntos em uma mesma brincadeira”, explica Aline De Rosa, especialista em desenvolvimento infantil.
Segundo a psicopedagoga Neide de Aquino, da PUC de São Paulo, ao brincar, os pequenos aprendem sobre eles mesmos, descobrem em quais atividades têm maior aptidão e em quais sentem mais dificuldade. Eles entram em contato com suas preferências ao descobrir do que gostam ou não de brincar.
Esse autoconhecimento envolve emoções. É comum que, durante uma brincadeira, a criança precise lidar com o sentimento de frustração. Seja porque perdeu em algum jogo ou porque não conseguiu executar determinada brincadeira, mas a frustração pode ser positiva, desde que os pequenos aprendam a superá-la. E os adultos devem ajudar as crianças nessa tarefa.
Não são apenas as crianças que participam das brincadeiras. Pais, responsáveis e cuidadores também devem fazê- lo, mas com prudência. Isso porque a função dos adultos é a de ser um facilitador das brincadeiras, mas sem estimular competição, punir ou fazer comparações. O mais indicado é dar autonomia à criança para que ela decida a forma como vai brincar. “A criança precisa brincar no tempo dela e não no tempo do adulto”, afirma Neide.
Para Aline, “Brincar é aquilo que acontece de forma livre, que a criança determina o que será feito e como será feito”. E isso não é o que acontece com as telas. “As imagens chegam prontas para a criança. Ela não precisa criar, se movimentar, nem se relacionar com nada ou ninguém. Sem nenhum esforço, ela recebe uma enorme carga de prazer.” Esse comportamento pode diminuir a criatividade. “São crianças que podem ver muitos brinquedos na sua frente e não vão saber o que fazer, porque nada é tão fácil quanto olhar para uma tela”, afirma a especialista.
Foi na tentativa de fugir desses efeitos que Stella C. adotou o hábito de passear com o filho, visitando praças, teatros, bibliotecas e exposições. O resultado, conforme ela conta, é que seu filho de 3 anos mal sente falta de televisão, celular e tablets.
Foi na tentativa de fugir desses efeitos que Stella C. adotou o hábito de passear com o filho, visitando praças, teatros, bibliotecas e exposições. O resultado, conforme ela conta, é que seu filho de 3 anos mal sente falta de televisão, celular e tablets.
(Guilherme Santiago. https://www.estadao.com.br/ saude/por-que-e-importante-propor-brincadeiras-variadas-para-o- -desenvolvimento-das-criancas/?utm_source=estadao:mail. Adaptado)
Aline de Rosa faz críticas ao uso indiscriminado da internet, pois ele
- limita a interação das crianças com outras pessoas, apesar de não comprometer a livre imaginação dos pequenos.
- causa permanente tédio nas crianças, uma vez que as imagens oferecidas via web já vêm formatadas.
- incentiva os pais a valorizarem a leitura e os passeios ao ar livre como opções de entretenimento para os filhos.
- reduz a capacidade das crianças de aprenderem a se divertir por meio de outras formas não atreladas à internet.
- exige demasiado esforço físico das crianças, embora proporcione muitos momentos prazerosos para os pequenos.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que o uso indiscriminado da internet reduz a capacidade das crianças de se divertirem por meios não digitais. Isso se apoia na ideia de que as telas oferecem “imagens prontas”, gerando prazer sem esforço criativo.
Quando a recompensa vem pronta, a criança não precisa inventar, movimentar-se ou negociar com colegas; assim, sua imaginação e iniciativa para criar brincadeiras ficam prejudicadas.
Esse processo compromete a aprendizagem de formas alternativas de lazer, que exigem autonomia, interação e desenvolvimento de habilidades sociais e motoras.
Portanto, o texto enfatiza o risco de a internet tornar mais difícil para a criança descobrir e aproveitar outras maneiras de brincar e aprender.
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