Questão FC217655
Desigualdade marcou processo de alfabetização infantil durante a pandemia Uma pesquisa realizada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mostrou que apen
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Desigualdade marcou processo de alfabetização infantil durante a pandemia
Uma pesquisa realizada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mostrou que apenas quatro em cada dez alunos do segundo ano fundamental são alfabetizados. O estudo também mostrou que as taxas de alfabetização diminuíram. Em 2019, 39,7% das crianças nessa faixa etária não eram alfabetizadas e, em 2021, essa porcentagem chegou a 56,4%.
Émerson de Pietri, professor da Faculdade de Educação da USP, comenta que no processo de alfabetização infantil houve muita desigualdade em relação a quem tinha condições de aprender durante o período da pandemia, por meio do acesso a tecnologias e do amparo em casa. “Isso demonstra, de modo muito evidente, o papel da escola na nossa sociedade. Uma vez que a escola não esteve presente e não pôde realizar o que ela tem feito historicamente no Brasil, tivemos impactos nefastos na aprendizagem, se observarmos a quantidade de crianças que não conseguiram se alfabetizar no tempo esperado”, explica. Assim, o novo desafio enfrentado pelos educadores é como garantir que essas crianças possam se alfabetizar e continuar seu percurso escolar de forma satisfatória. A escola pública garante, historicamente, que grandes camadas da população se alfabetizem.
Em contato com escolas públicas que atendem às regiões menos favorecidas, percebeu-se que faltava acesso a recursos tecnológicos – o que impedia que as crianças criassem um cotidiano escolar –, e mesmo quando estes estavam presentes, muitas vezes não havia o amparo familiar necessário para o aprendizado, o que comprometeu a alfabetização. “O processo de alfabetização e de aprendizado, de maneira mais ampla, depende do processo de interação entre aquele que aprende — nesse caso, a criança – e aquele que ensina – o professor, os pais ou adultos que possam auxiliar em um determinado momento”, pontua o professor.
(Jornal da USP. 6 de set. 2023. Adaptado. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=681244)
A respeito da alfabetização de crianças no Brasil, é correto afirmar, segundo o texto, que
- menos da metade das crianças na faixa etária do segundo ano do ensino fundamental estavam alfabetizadas no país em 2021, e esse dado sofreu impacto tanto das condições tecnológicas quanto familiares das crianças durante a pandemia.
- as desigualdades geográficas deixaram de ser o fator mais relevante durante o período da pandemia, visto que desde então o ensino remoto afetou igualmente as possibilidades de acesso entre os alunos de toda a rede pública de ensino.
- 56,4% das crianças brasileiras não tiveram acesso à tecnologia que lhes permitisse estudar durante a pandemia e, assim, mesmo com o apoio dos pais, não puderam aprender a ler e a escrever na idade que era esperada.
- a diminuição na taxa de analfabetismo entre crianças do segundo ano do ensino fundamental está ligada ao fato de, na pandemia, as escolas terem se recusado a adotar o modelo de ensino remoto.
- a porcentagem de crianças alfabetizadas em 2021 é menor do que em 2019, apesar de as condições nas escolas públicas terem melhorado durante a pandemia, garantindo acesso à educação a grandes camadas da população.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que, em 2021, menos da metade das crianças do 2º ano estava alfabetizada. O texto registra que 56,4% não eram alfabetizadas; portanto a parcela alfabetizada é \(100\% - 56{,}4\% =\) 43,6%, ou aproximadamente quatro em cada dez alunos.
Além do número, o enunciado relaciona as causas: a pandemia acentuou desigualdades decorrentes do acesso a tecnologia e do amparo familiar. Onde faltaram recursos e apoio em casa, as rotinas escolares foram prejudicadas e a alfabetização não ocorreu no tempo esperado.
O texto também ressalta o papel da escola como fator compensador social; sua ausência durante o período remoto resultou em impactos negativos na aprendizagem, desafiando educadores a recuperar esse atraso.
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