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Questão FC217657

Iniciativas para garantir dignidade e autonomia à população de rua Hoje, no Brasil, há um número crescente de iniciativas individuais e coletivas no sentido de se aproximar das pes

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Iniciativas para garantir dignidade e autonomia à população de rua

 

Hoje, no Brasil, há um número crescente de iniciativas individuais e coletivas no sentido de se aproximar das pessoas em situação de rua, compreender de perto suas necessidades e se mobilizar na busca do resgate da dignidade e da autonomia dessa população, seja no campo assistencial, na valorização social e também no acesso às artes e à cultura.

 

É o caso do projeto Pagode na Lata, criado em 2017 com o intuito de aproveitar o potencial da música, mais especificamente do samba e do pagode. O grupo usa a música para reduzir danos causados pelo uso de drogas e gerar renda para a população de rua e dependentes químicos na região central de São Paulo.

 

“O samba e o pagode são caminhos para estabelecer vínculos com as pessoas da região e o melhor insumo para a redução de danos, para dar encaminhamento e cuidar. Quando estamos juntos no Pagode, eles não estão usando drogas, e o cachimbo vira baqueta no tamborim”, descreve o sociólogo Marcos Maia, um dos líderes do projeto.

 

O Pagode na Lata, como explica o sociólogo, organiza a vida das pessoas, porque é um trabalho: “tem ensaio, reunião, tudo com hora marcada – isso é organizador”. O território onde o projeto é realizado abrange os bairros da Luz, Santa Ifigênia e Bom Retiro e possui equipamentos culturais que passaram a abrir espaço para as pessoas em situação de rua. O Pagode na Lata, por exemplo, já se apresentou no Museu da Língua Portuguesa e no Sesc Bom Retiro. O valor do cachê recebido é dividido igualmente entre os músicos.

 

Foi em uma dessas apresentações que Jurandir, um dos integrantes do grupo, e que vive há 30 anos na região, decidiu usar o dinheiro para comprar um pandeiro. “Ele pensou na música, e não em comprar drogas”, relembra Maia. E foi na primeira apresentação do Pagode na Lata, na Pinacoteca do Estado, que Jurandir se emocionou. “Por um ano, ele viveu na calçada em frente ao museu e, com os olhos marejados, disse que nunca imaginou que um dia entraria em um lugar como aquele. ‘Entrei, toquei e fui ovacionado’”, relembra Maia.

 

(Karla Dunder. Revista E. Dezembro de 2023. Adaptado)

 

A respeito do trabalho com pessoas em situação de rua, é correto afirmar, de acordo com o texto, que

  1. diminuir o número de moradores de rua no centro de São Paulo é um dos objetivos do projeto Pagode na Lata, que procura convencer as autoridades competentes a investirem na construção de abrigos para os músicos.
  2. é perceptível a diminuição do uso de drogas ilegais no país depois que algumas iniciativas, como a Pagode na Lata, passaram a olhar para a população que vive nas ruas e que antes era negligenciada pelo Estado.
  3. há alguns casos de pessoas, como Jurandir, que deixaram de viver nas ruas depois de participarem do projeto Pagode na Lata como músicos e passaram a trabalhar em lugares como a Pinacoteca do Estado.
  4. existem situações em que aproximar as pessoas por meio da música é suficiente para tratar a dependência química e fazer com que as pessoas possam, por elas mesmas, buscar melhorar sua condição social.
  5. conectar as pessoas pela música pode ajudar a reconstruir a vida daqueles que estão em situação de vulnerabilidade social e favorecer o trabalho de redução de danos em casos de abuso de drogas.
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Comentário do professor

O texto mostra que a música funciona como um instrumento prático para recriar laços e promover mudanças na vida de pessoas em situação de rua. O projeto Pagode na Lata usa o samba/pagode para estabelecer vínculos e oferecer atividades com horários e responsabilidades, o que traz organização e sentido ao dia a dia.

Ao participar, os indivíduos têm oportunidade de gerar renda, recuperar autoestima e acessar espaços culturais antes inacessíveis — fatores que contribuem para a reconstrução pessoal. O exemplo de Jurandir ilustra o efeito simbólico e emocional dessa inclusão.

Além disso, a prática musical favorece a redução de danos: durante os encontros há menor consumo de drogas e abre-se um canal de acolhimento e encaminhamento para cuidado, sem a pretensão de curar, mas mitigando riscos e promovendo apoio social.

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