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Questão FC217669

Leia o texto para responder a questão. Destruição criativa 2.0 Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder a questão.

 

Destruição criativa 2.0

 

Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que mencionavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.

 

Daí não decorre que devamos tratar a inteligência artificial com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.

 

O quadro geral, porém, talvez não seja dos piores. Economistas de diferentes correntes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais, mas também psicológicos.

 

Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.

 

(SCHWARTSMAN, Hélio. Em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml. 15.09.2023. Adaptado)

 

Para explicar por que não acredita que a inteligência artificial destruirá o mundo, o autor recorre ao argumento de que

  1. teremos em breve muito mais recursos tecnológicos do que atualmente.
  2. tendemos a superestimar os efeitos negativos do que não conhecemos.
  3. a resolução de problemas econômicos está fora do alcance das máquinas.
  4. sempre haverá categorias de trabalho imunes ao avanço das máquinas.
  5. os efeitos positivos das novas tecnologias já superam os negativos.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O autor justifica sua descrença de que a inteligência artificial destruirá o mundo ao apontar uma tendência humana diante do desconhecido: "diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos".

Essa afirmação funciona como núcleo do argumento: ele não invoca conhecimento privilegiado, mas sim um padrão histórico de reações alarmistas.

Para reforçar, menciona como exemplo confirmação empírica — artigos catastrofistas sobre os bebês de proveta nas décadas de 1970/80 — que hoje já não causam a mesma polêmica.

Assim, o autor conclui que o medo extremo da IA decorre mais de uma propensão humana a superestimar riscos do que de provas de que a tecnologia vá, de fato, aniquilar o mundo.

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