Questão FC217686
Pelo telefone A historiografia da música popular no Brasil consagra a gravação da canção “Pelo Telefone” (1916), de autoria de Ernesto dos Santos, o Donga (1890-1974), e Mauro de A
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Pelo telefone
A historiografia da música popular no Brasil consagra a gravação da canção “Pelo Telefone” (1916), de autoria de Ernesto dos Santos, o Donga (1890-1974), e Mauro de Almeida (1882-1956), como um marco da história cultural brasileira.
Há uma série de elementos importantes que justificam a escolha desta canção – cuja letra é uma crítica bem-humorada ao chefe de polícia carioca que combate os jogos de azar na cidade – como baliza da música popular urbana. Um deles é a ação propositada do autor de registrar a autoria da composição; outro, a indicação de “samba” no selo do disco, gênero ainda indefinido no início do século XX. Ao registrar a partitura da canção na Biblioteca Nacional, Donga ultrapassa os tradicionais limites da criação coletiva e anônima da música popular da época e assume a postura de “compositor moderno”, que assegura direitos e retorno financeiro sobre a composição. O manuscrito para piano de “Pelo Telefone” é registrado na Biblioteca Nacional em novembro de 1916, mês em que também surge a primeira edição comercial da obra. Logo em seguida, são realizadas três gravações pela Casa Edison, baseadas nesses registros públicos. A primeira e a terceira são apenas gravações instrumentais, realizadas pela Banda Odeon e a Banda do 1º Batalhão da Polícia da Bahia. A segunda gravação, interpretada por Baiano (1870-1944) e acompanhada somente de cavaquinho e violão, é sucesso no carnaval de 1917.
Em “Pelo Telefone” estão presentes registros modernos da música popular que aparecem de modo manifesto apenas na virada dos anos 1920-1930, a saber, o gênero samba urbano, composto por autor conhecido, registrado em partitura, gravado em fonograma, e com ampla divulgação e popularidade. A canção inicia, portanto, uma nova fase da produção musical no país, a ponto de se transformar em uma espécie de “mito fundador” do gênero.
(Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra7091/pelo-telefone-1916. Adaptado)
Entre os elementos de modernidade identificados na canção “Pelo telefone” encontram-se, de acordo com o texto,
- a crítica irônica às autoridades policiais e à hipocrisia presente na cidade do Rio de Janeiro no que diz respeito aos jogos de azar.
- a existência de partitura e manuscrito para piano, instrumento praticamente ausente dos sambas mais tradicionais.
- as gravações em fonograma, feitas pela Casa Edison, e a extensa divulgação da obra, com autor e partitura registrados.
- os elementos rítmicos bem definidos do samba, gênero que só iria surgir na virada dos anos 1920-1930.
- a mistura de características populares e eruditas, que fizeram com que a obra fosse aceita pela Biblioteca Nacional em 1916.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente os elementos que tornaram “Pelo Telefone” um marco: as gravações em fonograma pela Casa Edison e a ampla divulgação, somadas ao registro da partitura e do autor.
Esses fatores representam uma ruptura com a prática anônima e coletiva: o registro formal da obra na Biblioteca Nacional e a identificação do criador consolidam a figura do compositor moderno, que pode reivindicar direitos e retorno econômico.
Ao mesmo tempo, a tecnologia do fonograma possibilitou a reprodução e circulação massiva da canção, fixando-a no repertório urbano e ampliando seu alcance social — por isso esses elementos são destacados como sinais de modernidade no texto.
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