Questão FC217708
Panaceia indígena Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique. Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. A perna do cacique estava inchada, mais inc
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Panaceia indígena
Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique. Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. A perna do cacique estava inchada, mais inchada que coxa de corista veterana. Tinha pisado num espinho envenenado. O pajé examinou, deu uns dois ou três roncos de pajé e depois aconselhou:
– Chefe tem passar perna folha de galho passarinho azul sentou.
Disse e se mandou, ficando os índios do staff1 do cacique encarregados de arranjar a tal folha. Depois de muito procurarem, viram um sanhaço pousado num galho de mangueira e trouxeram algumas folhas. Mas – eu pergunto – o cacique melhorou? E eu mesmo respondo: aqui! ó...
No dia seguinte estava com a perna mais inchada. Chamaram o pajé de novo. O pajé veio, examinou e lascou: “Hum-hum... perna grande guerreiro melhorou nada com folha galho passarinho azul pousou. Precisa lavar com água de lua.”
Disse e se mandou. O staff arranjou uma cuia e botou a bichinha bem no meio da maloca, cheia de água, que era pra – de noite – a lua refletir nela. Foi o que aconteceu. De noite houve a lua e, de manhãzinha, foram buscar a cuia e lavaram com a água a perna do cacique.
O pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom, porque não foi mais chamado. Passados uns dias, no entanto, voltaram a apelar para seus dotes de curandeiro. Lá foi o pajé para a tenda do cacique, encontrando-o deitado e com uma perna mais inchada que cabeça de botafoguense. Aí o pajé achou que já era tempo de acabar com aquilo. Examinou bem, fez um exame minucioso e sentenciou:
– Cacique vai perdoar pajé, mas único jeito é tomar penicilina.
(Stanislaw Ponte Preta. Dois amigos e um chato, 1986. Adaptado)
1 grupo de indivíduos que assessora um dirigente, um político etc.
Assinale a alternativa que traz, entre parênteses, correta análise da informação textual.
- Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. (1o parágrafo) [Ao entrar, o pajé encontrou o cacique em sono profundo.]
- E eu mesmo respondo: aqui! ó... (3o parágrafo) [O narrador reconhece que o cacique rapidamente foi curado.]
- No dia seguinte estava com a perna mais inchada. (4o parágrafo) [O staff do cacique constatou que a perna permanecia como no dia anterior.]
- De noite houve a lua e, de manhãzinha, foram buscar a cuia... (5o parágrafo) [A presença da lua atendeu às expectativas do staff, orientado pelo pajé.]
- Examinou bem, fez um exame minucioso e sentenciou... (6o parágrafo) [Embora quisesse a cura do cacique, o pajé examinou- o com descaso.]
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Gabarito
D
Comentário do professor
O enunciado “De noite houve a lua e, de manhãzinha, foram buscar a cuia...” refere‑se à execução da orientação do pajé de preparar a chamada “água de lua” — isto é, deixar a água exposta para ser iluminada pela lua.
Ao afirmar que houve a lua, o texto comunica que a presença da lua ocorreu de fato e, portanto, a condição pedida pelo pajé foi satisfeita durante a noite.
O fato de terem ido buscar a cuia pela manhã evidencia a sequência temporal: a água permaneceu à noite sob a luz lunar, cumprindo a instrução do pajé.
Logo, a leitura indicada — que a presença da lua atendeu às expectativas do staff, orientado pelo pajé — é correta e coerente com o enunciado.
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