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Questão FC217715

“Transcrever a fala é passar um texto de sua realização sonora para a forma gráfica com base numa série de procedimentos convencionalizados. Seguramente, neste caminho, há uma séri

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

“Transcrever a fala é passar um texto de sua realização sonora para a forma gráfica com base numa série de procedimentos convencionalizados. Seguramente, neste caminho, há uma série de operações e decisões que conduzem a mudanças relevantes que não podem ser ignoradas. Contudo, as mudanças operadas na transcrição devem ser de ordem a não interferir na natureza do discurso produzido do ponto de vista da linguagem e do conteúdo.”

 

(Luiz Antônio Marcuschi, Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003)

 

À luz do texto de Marcuschi (2003), é correto afirmar sobre o profissional de transcrição:

  1. pode fazer ajustes necessários à adequação do discurso à forma escrita, porém sem impor estilo próprio ou interferir no conteúdo do que foi dito.
  2. deve registrar as pausas do orador na transcrição com o uso de vírgula ou ponto-e-vírgula, de modo a tornar o texto o mais fidedigno possível ao discurso.
  3. a fim de obter um texto mais claro e objetivo, deve evitar o uso de voz passiva e de figuras de linguagem.
  4. seu principal objetivo é a entrega de um texto revisado de acordo com a norma-padrão, pois a correção gramatical se sobrepõe ao conteúdo do discurso.
  5. caso não compreenda alguma palavra, deve usar em seu lugar um termo adequado ao contexto do discurso, a fim de manter a continuidade do texto.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa está correta porque, segundo Marcuschi, a transcrição é uma operação de retextualização: transfere-se a fala para a escrita por meio de procedimentos convencionados que podem produzir mudanças formais.

Esses ajustes necessários incluem, por exemplo, pontuação para leitura, eliminação de repetições excessivas ou segmentação de turnos, sempre visando a adequação à forma escrita sem alterar o que foi comunicado.

O transcritor não deve impor estilo próprio nem reformular ideias: sua intervenção é técnica, neutra e orientada pela preservação do sentido original.

Em outras palavras, mudanças são admitidas contanto que não interfiram na natureza do discurso produzido do ponto de vista da linguagem e do conteúdo, garantindo a fidelidade ao enunciado.

Essa postura assegura responsabilidade ética e funcional na produção de textos transcritos para fins legais, jornalísticos ou acadêmicos.

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