Questão FC217737
Leia o poema para responder a questão. Minha terra Saí menino de minha terra. Passei trinta anos longe dela. De vez em quando me diziam: Sua terra está completamente mudada, Tem av
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o poema para responder a questão.
Minha terra
Saí menino de minha terra.
Passei trinta anos longe dela.
De vez em quando me diziam:
Sua terra está completamente mudada,
Tem avenidas, arranha-céus...
É hoje uma bonita cidade!
Meu coração ficava pequenino.
Revi afinal o meu Recife.
Está de fato completamente mudado.
Tem avenidas, arranha-céus.
É hoje uma bonita cidade.
Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!
(Manuel Bandeira, As cidades e as musas)
A diferença na pontuação dos versos “É hoje uma bonita cidade!” e “É hoje uma bonita cidade.” permite concluir corretamente que o eu lírico expressa
- emoção incontrolável com a revisitação a Recife, o que se comprova com o verso: “Meu coração ficava pequenino.”
- desdém pelas mudanças ocorridas em Recife, o que se comprova com o verso: “Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!”
- ojeriza por ter de estar mais uma vez em Recife, o que se comprova com o verso: “Está de fato completamente mudado.”
- contentamento por revisitar o seu Recife de outrora, o que se comprova com o verso: “Passei trinta anos longe dela.”
- desprezo pela cidade miserável que é Recife onde nasceu há trinta anos, o que se comprova com o verso: “Tem avenidas, arranha-céus.”
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Gabarito
B
Comentário do professor
A diferença de pontuação modifica o tom: a exclamação em “É hoje uma bonita cidade!” tem aparência de admiração anunciada, enquanto o ponto final em “É hoje uma bonita cidade.” torna a mesma frase seca e desdenhosa.
A repetição com pontuação distinta funciona como recurso retórico que revela ironia — o eu lírico repete a constatação, mas sem entusiasmar; há distância crítica entre o enunciado e o sentimento real.
O verso seguinte, “Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!”, é a prova direta: a expressão é uma maldição dirigida aos responsáveis pelas mudanças, indicando raiva e rejeição.
Portanto, a alteração pontuacional aliada ao verso final confirma o desdém do eu lírico pelas transformações em Recife.
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