Questão FC217745
Na última reunião de pais no colégio, a professora de um dos meus filhos fez um apelo: “Por favor, peçam a seus filhos para lerem mais em casa, porque as leituras que fazemos na es
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Na última reunião de pais no colégio, a professora de um dos meus filhos fez um apelo: “Por favor, peçam a seus filhos para lerem mais em casa, porque as leituras que fazemos na escola não são suficientes”. Fui obrigada a concordar com ela e saí disposta a colaborar. Mas a lição de casa tem se revelado árdua com tantos jogos, telas e recursos digitais disponíveis a um clique. Em muitas famílias, fazer crianças e adolescentes focarem apenas no bom e velho livro virou desafio hercúleo hoje em dia.
E é justamente dele que trata o livro Faça-os ler! Para não criar cretinos digitais, do neurocientista francês Michel Desmurget. No livro, o autor apresenta pesquisas, feitas em países europeus, que sustentam, entre outros pontos, que os “nativos digitais” podem ser os primeiros filhos a ter QI inferior ao dos pais.
Segundo o autor, o abandono da leitura pelas novas gerações tem consequências não só no desempenho escolar, como também no vocabulário, na estruturação do pensamento, na nutrição da memória e na apropriação de conhecimentos complexos. A troca do livro pelo uso massivo de telas também está ligada a prejuízos no sono e na aquisição da linguagem, problemas de concentração e aumento da ansiedade e do risco de obesidade.
Esse recuo generalizado da leitura é sentido de forma mais marcante no meio universitário. Desmurget destaca em seu novo livro que pesquisas mostram que muitos estudantes sabem que é importante ler, sabem que os professores esperam que eles leiam e sabem que isso terá impacto em suas notas. Mesmo assim, não leem. Penso que aí o problema se agrava muito, porque os não leitores de hoje serão os professores de amanhã.
Desmurget defende que é hora de demonstrar que a leitura “por prazer” de maneira alguma constitui uma prática elitista, reservada a alguns privilegiados eruditos, mas é, sim, uma necessidade urgente de desenvolvimento para as crianças. Só há um problema: o gosto pela leitura não é inato. Ou seja, não brota espontaneamente em todos os seres humanos − precisa, em vez disso, ser transmitido. E aí nada como os pais − ou cuidadores − para assumir essa missão.
“Vasculhei a literatura científica em todas as direções e não encontrei um antídoto melhor para a estupidificação das mentes do que a leitura”, escreve o pesquisador francês. “Ela é uma verdadeira máquina para moldar a inteligência em sua dimensão cognitiva (aquela que permite pensar, refletir e raciocinar), mas também, de maneira ampla, socioemocional (aquela que permite entender a si mesmo e aos outros, para benefício das relações sociais). O leitor é o anticretino digital!”.
(https://www.estadao.com.br/cultura/luciana-garbin/nao-quer-criarcretinos-
digitais-entao-faca-seus-filhos-ler/. 07.03.2024. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
- a leitura em meios digitais prejudica a compreensão das informações apresentadas nos textos.
- estudantes do ensino superior não têm o hábito da leitura, ainda que reconheçam sua importância.
- ainda não há estudos confiáveis que comprovem um efeito positivo da leitura sobre a memória.
- o vocabulário escasso é o principal e mais nocivo efeito da pouca leitura praticada pelos jovens.
- os jovens têm preferido os exercícios escolares de escrita às atividades de interpretação de textos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A afirmação está correta porque sintetiza a ideia central do texto: que, no ambiente universitário, há um afastamento da prática da leitura mesmo quando seu valor é reconhecido.
O texto afirma que esse afastamento é “recuo generalizado” e que isso se manifesta “de forma mais marcante no meio universitário”.
Além disso, descreve pesquisa citada por Desmurget segundo a qual “muitos estudantes sabem que é importante ler, sabem que os professores esperam que eles leiam e sabem que isso terá impacto em suas notas. Mesmo assim, não leem”.
Portanto, a frase selecionada resume fielmente o enunciado: os alunos do ensino superior reconhecem a importância da leitura, mas não a praticam habitualmente.
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