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Questão FC217747

Ele trabalha o dia inteiro no moinho de seu primo, à noite, quando chega em casa, senta-se àquela janela e contempla a parte do dia que resta, o crepúsculo. Deveria haver mais hora

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Ele trabalha o dia inteiro no moinho de seu primo,

à noite, quando chega em casa, senta-se àquela janela

e contempla a parte do dia que resta, o crepúsculo.

Deveria haver mais horas assim, para sentar e sonhar.

É como diz seu primo:

Viver – viver é o contrário de sentar.

 

Na janela, jamais o mundo, e sim uma paisagem esquadriada

do mundo. Mudam as estações,

visíveis apenas por algumas horas do dia.

O verde seguido de dourado seguido de palidez –

abstrações que trazem prazeres intensos,

como os figos sobre a mesa.

 

Quando cai a tarde, o sol se põe na névoa avermelhada

 

[entre dois álamos.

 

No verão demora a se pôr – às vezes é difícil esperar

 

[acordado.

 

Logo tudo desmorona.

O mundo ainda pode ser

assistido, em seguida apenas escutado,

grilos, cigarras.

Também farejado, o aroma dos limoeiros, laranjeiras.

Até isso o sono trata de subtrair.

 

(Louise Glück. Poemas 2006 - 2014. 2021)

 

É correto afirmar que o eu-lírico do poema

  1. expõe seus sentimentos de tristeza e desânimo em relação ao dia de trabalho passado em um moinho afastado de tudo.
  2. expressa seu incômodo em relação ao fato de, com a chegada da noite, não poder mais enxergar ou ouvir a natureza.
  3. entende que a paisagem que vê através da janela representa a parte mais relevante de tudo o que existe no mundo.
  4. afirma haver prazer na contemplação das diferentes cores que se sucedem na paisagem à medida que o dia finda.
  5. é impedido de descansar da maneira como deseja porque os diferentes ruídos e cheiros do anoitecer o perturbam.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D está correta porque o poema valoriza explicitamente a contemplação das transformações cromáticas do entardecer.

O eu-lírico senta-se à janela para observar o crepúsculo — «contempla a parte do dia que resta, o crepúsculo» — e encontra prazer nesse ato atento e demorado.

A própria descrição das cores torna-se motivo de deleite: «O verde seguido de dourado seguido de palidez – abstrações que trazem prazeres intensos». Esse verso dá suporte direto à afirmação de que há prazer na sucessão de cores.

Assim, o foco é estético e sensorial: o poeta não apenas percebe as mudanças na paisagem, mas as aprecia como fontes de prazer, confirmando a ideia central da alternativa.

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