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Questão FC217772

Por que levantar o braço para colher o fruto? A máquina o fará por nós. Por que labutar no campo, na cidade? A máquina o fará por nós. Por que pensar, imaginar? A máquina o fará po

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto, para responder à questão.

LADAINHA


Por que o raciocínio,
Os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado,
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
Mais fáceis que um sorriso.


Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial
Dando-lhe um ritmo extra-corporal?


Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?


A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.


(Cassiano Ricardo. Jeremias sem chorar.)

 

É correto afirmar que, na terceira estrofe, o ritmo caracterizado pela reiteração de uma estrutura reforça

  1. a relação entre homem e máquina, sugerindo que esta poderá substituí-lo em diversas atividades.
  2. a supremacia humana, capaz de rejeitar eventuais substitutos para suas tarefas.
  3. a afirmação implícita de que a máquina não se igualará à inteligência dos humanos.
  4. a ideia de que a máquina realiza sempre as mesmas operações mecânicas repetitivas.
  5. a sugestão de que o homem invariavelmente delega à máquina tarefas cansativas.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A terceira estrofe reforça a ideia de relação entre homem e máquina, sugerindo a possível substituição desta em diversas atividades.

O poeta repete a estrutura interrogativa "Por que...?" seguida da resposta fixa "A máquina o fará por nós." — um procedimento de repetição que é, na prática, uma anáfora.

Essa anáfora acumula ações humanas (mexer, trabalhar, pensar, criar) numa sequência que amplia o alcance da máquina: não só o físico, mas também o intelectual e o afetivo.

O ritmo insistente confere ao verso um tom de ladainha ou súplica, imprimindo efeito de inevitabilidade e resignação diante da mecanização das funções humanas.

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