Questão FC217774
Leia o texto, para responder à questão. A inteligência artificial muda o mundo O ano de 2023 foi aquele em que o Homo sapiens criou uma inteligência à altura da sua própria. E perc
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o texto, para responder à questão.
A inteligência artificial muda o mundo
O ano de 2023 foi aquele em que o Homo sapiens criou uma inteligência à altura da sua própria. E percebeu que essa inteligência, artificial, era em muitos sentidos superior à do seu criador. Para alguns, isso gera medo. Para outros, oportunidades e possibilidades inéditas. Entregamos o poder de pensar às máquinas, como Prometeu entregou o fogo dos deuses aos humanos. E por isso foi condenado a viver acorrentado numa rocha, com uma águia comendo seu fígado todos os dias.
Uma águia (simbólica) comerá nosso fígado na forma de arrependimento pelas forças que liberamos? “Eu chamaria isso de momento de inflexão”, declarou à revista Technolife a cientista pioneira em IA, Fei-Fei Li, professora da Harvard e ex-vice-presidente do Google. “2023 é, na história, esperançosamente, um ano que vai ser lembrado pelas mudanças profundas da tecnologia e pelo despertar público.”
Pesquisas sérias sobre inteligência artificial existem desde a metade da década de 1950, mas 2023 foi o ano em que ela foi popularizada, especialmente por meio de um programa/ aplicativo chamado ChatGPT, da OpenAI. Lançado em 2022, o ChatGPT colocou nas mãos de qualquer pessoa (que pague US$ 20 por mês pela versão 4) um poder jamais visto anteriormente. Ali estava um modelo de linguagem capaz de raciocinar, produzir, traduzir, criar, fazer arte, conversar, aconselhar, dispor de uma memória imbatível, realizar cálculos complexos e elaborar receitas de bolo, tudo ao mesmo tempo.
A primeira reação foi de pânico. Programas de IA generativa foram proibidos em escolas. Os estudantes não iriam mais querer estudar tendo essa potência toda à disposição. O pânico se estendeu também à possibilidade de ações fora de controle. A inteligência poderia agir fora da lei por conta própria.
A inteligência artificial derrubou a velha crença de que nada supera a criatividade humana. O professor Erik Brynjolfsson, da universidade Stanford, especializado em relações entre máquinas e humanos, disse duras palavras numa entrevista para o New York TImes: “Para ser brutalmente honesto, tínhamos uma hierarquia de coisas que a tecnologia poderia fazer e nos sentíamos confortáveis em dizer que coisas como trabalho criativo, trabalho profissional e inteligência emocional seriam difíceis para as máquinas fazerem. Agora tudo isso foi revirado”.
Tirando a perda de empregos, o maior temor é o de que os computadores ganhem vida própria e exterminem a humanidade. Perguntei ao ChatGPT se ele seria capaz de tomar o controle da situação e destruir a humanidade. Esta foi sua resposta:
A ideia de um modelo de linguagem como o ChatGPT sendo capaz de destruir a humanidade é mais um tema de ficção científica do que uma preocupação baseada na realidade e na ciência atual. Os modelos de linguagem, por sua natureza e design, não possuem agência, vontade própria, consciência ou capacidade de tomar ações físicas no mundo. Eles são ferramentas que processam e geram texto com base em dados e algoritmos, operando sob os controles e limites estabelecidos pelos seus criadores humanos.
(Dagomir Marquezi. Disponível em: <www.revistaoeste.com/revista/edição 197>. Acesso em: 02.01.2024. Adaptado)
Comparando-se os pontos de vista dos especialistas citados (segundo e quinto parágrafos), conclui-se que, em relação às inovações tecnológicas reveladas em 2023,
- ambos se mostram pessimistas, especialmente diante da possibilidade da superação da inteligência humana pelas máquinas inteligentes.
- ambos destacam os muitos benefícios que a inteligência artificial pode trazer para a população em geral.
- Fei-Fei Li vê a inteligência artificial como promissora, Erik Brynjolfsson aponta a quebra de paradigma quanto ao potencial dessa tecnologia.
- enquanto Fei-Fei Li mostra-se esperançosa quanto ao potencial das máquinas inteligentes, Erik Brynjolfosson aposta no fracasso delas.
- Erik Brynjolfsson se mostra evasivo na entrevista, ao tratar da inteligência artificial, por não acreditar que ela tenha futuro.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Fei-Fei Li qualifica 2023 como um “momento de inflexão”, destacando mudanças profundas e um despertar público frente às inovações em IA. Isso revela uma visão otimista: ela vê a tecnologia como promissora e carregada de possibilidades a serem exploradas.
Erik Brynjolfsson afirma que a hierarquia de tarefas consideradas exclusivas aos humanos — como trabalho criativo, profissional e emocional — foi revirada. Ou seja, há uma clara percepção de quebra de paradigma sobre o potencial da IA, que passa a desempenhar funções antes consideradas inalcançáveis.
Portanto, a alternativa resume corretamente os dois pontos de vista: um olhar esperançoso quanto ao futuro e outro que reconhece a alteração radical das capacidades atribuídas às máquinas.
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