Questão FC217792
Com base em que, então, eu condeno o fenômeno da cultura influencer? Tenho alguma razão para fazer isso além de um gosto pessoal visceral?
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
O mundo bizarro dos influencers
Apesar de deplorar uma cultura em que o fenômeno do influencer pode alçar nulidades à fama e à fortuna, tento controlar meu desdém. Afinal, controlar os gostos e os interesses de muitos milhões de pessoas ao mesmo tempo sem saber nada sobre elas individualmente nem sobre as circunstâncias de suas vidas é muita arrogância.
Com base em que, então, eu condeno o fenômeno da cultura influencer? Tenho alguma razão para fazer isso além de um gosto pessoal visceral?
Talvez a existência de influenciadores de sucesso distorça e corrompa as ambições dos jovens. Isso desvia as pessoas de sonhos alcançáveis e úteis para sonhos de fama e riqueza fáceis, mas muito improváveis. Diz-se que para cada influenciador bem-sucedido existe um número desconhecido de pessoas tentando se tornar influenciadoras. Suas vidas são desperdiçadas na busca dessa utopia.
Fica a sensação de que existe diferença entre aqueles que fracassam em ambições dignas e aqueles que buscam a fama como influenciadores. Não é fácil decifrar o talento necessário para tentar ser um influenciador, além de um quê de descaramento e exibicionismo, o que, em todo caso, são características, não talentos. As reais habilidades necessárias para influenciadores de sucesso, retirados da obscuridade e alçados à fama, parecem ser modestas, para dizer o mínimo.
(Theodore Dalrymple. Revista Oeste, ed. de 27.01.2023. Adaptado)
A afirmação do texto com a qual o autor busca minimizar sua contundência na crítica à cultura influencer é:
- … tento controlar meu desdém.
- … um gosto pessoal visceral?
- Suas vidas são desperdiçadas…
- … um quê de descaramento e exibicionismo…
- … para dizer o mínimo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Ao dizer “tento controlar meu desdém”, o autor revela a existência de uma opinião negativa forte, mas imediatamente apresenta um esforço consciente para contê‑la. Essa construção funciona como um recurso mitigador: admite o juízo severo e, ao mesmo tempo, pretende afastar a imagem de um ataque indiscriminado.
O verbo “tento” indica ação deliberada e contínua, não uma explosão emotiva; a expressão “controlar” aponta para moderação e autocontenção. Assim, o leitor é convidado a perceber o comentário como mais ponderado e equilibrado, valorizando a isenção do autor.
Em suma, a frase reduz a contundência da crítica ao enquadrá‑la como uma opinião controlada, estratégia retórica que reforça a credibilidade do discurso sem negar a avaliação negativa.
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