FC ConcursosFC Concursos

Questão FC217795

E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Você é um carpinteiro ou um jardineiro?

 

A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

 

“Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

 

Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

 

Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

 

E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

 

E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

 

A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

 

E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?

(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)

 

Do trecho – “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”  – compreende-se que

  1. os pais devem oferecer os brinquedos educativos à criança e propor as brincadeiras para seu desenvolvimento emocional.
  2. as crianças precisam de variedade de brinquedos a fim de se distraírem e ocuparem o tempo ocioso.
  3. o adulto precisa mostrar à criança “como brincar” com os brinquedos, para que ela desenvolva a criatividade.
  4. a função dos brinquedos é que as crianças aprendam a brincar a partir de explicações dadas pelos adultos.
  5. elementos de estímulo devem ser oferecidos à criança, sem necessariamente explicar como funcionam.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa está correta porque o trecho compara pais a jardineiros: seu papel é criar condições, não moldar passo a passo. A frase “Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos” indica que é preferível oferecer elementos de estímulo — recursos, oportunidades e ambientes — sem impor instruções detalhadas.

Essa postura favorece a exploração e a autonomia da criança, permitindo que ela descubra usos, soluções e interesses por si mesma. O exemplo do experimento citado no texto mostra que instruções prévias podem restringir a interação; já a disponibilidade de estímulos amplia possibilidades de aprendizagem.

Portanto, a conclusão expressa na alternativa — oferecer estímulos sem necessariamente explicar seu funcionamento — é inferência direta e fiel ao sentido da passagem.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo