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Questão FC217800

Funk: expressão cultural, preconceitos e as várias faces da sociedade brasileira Se o samba, há décadas, é vendido como símbolo da identidade nacional brasileira, nem sempre foi as

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Funk: expressão cultural, preconceitos e as várias faces da sociedade brasileira

 

Se o samba, há décadas, é vendido como símbolo da identidade nacional brasileira, nem sempre foi assim. No começo do século 20, sambistas, oriundos das camadas populares e negras da população, eram marginalizados ao ponto de serem presos, acusados de vadiagem, uma contravenção penal. Gêneros musicais que antecederam o samba, também fortemente associados aos negros, como o lundu, o maxixe e o jongo, eram acusados de terem coreografias e letras indecentes. Foi apenas na Era Vargas, entre 1930 e 1945, que o Estado passou a valorizar manifestações culturais populares como o samba, mas, ao mesmo tempo, tentando domesticá-las para adaptá-las às ideologias oficiais do governo: o nacionalismo, o trabalhismo e a democracia racial.

 

É nesse quadro que o repúdio de tanta gente ao funk deve ser compreendido. Muitas das acusações sofridas pelo funk estão presentes em outros gêneros musicais associados a um público bem específico: jovens, negros, pobres, moradores de favelas e periferias. Assim como o pagode baiano e o tecnobrega, o funk é acusado de fazer apologia ao crime, às drogas e ao sexo. E como o sertanejo, o forró eletrônico e o pagode romântico, o funk, muitas vezes, é taxado de “música pobre”. Os critérios que fazem um gênero musical ser considerado “pobre”, no entanto, variam de acordo com os diferentes valores dos diferentes grupos sociais.

 

Uma música que valoriza mais o ritmo, a batida e a dança do que a letra e a harmonia pode ser a mais “rica” para se animar um baile, por exemplo. Já o funk ostentação, com letras que fazem apologia a marcas de luxo, apesar de ser acusado de alienado, questiona distinções sociais por meio do consumo e não deixa de expressar uma demanda de jovens pobres e periféricos por reconhecimento e visibilidade.

(Danilo Cymrot. Revista E. Abril de 2024. Adaptado)

 

De acordo com os argumentos do texto, o funk

  1. privilegia o ritmo e a dança em vez da letra e da harmonia e, assim, diferencia-se de gêneros musicais baseados nos valores de outros grupos sociais.
  2. mostra, por meio de um discurso de ostentação, como as classes populares são, na realidade, mais ambiciosas do que a classe média.
  3. busca reconhecimento e visibilidade e, por isso, os artistas desse gênero têm suas carreiras direcionadas especialmente para o mercado internacional.
  4. tem semelhanças com o pagode baiano e com o tecnobrega paraense, pois tem sua origem em um mesmo momento histórico.
  5. é associado a um público mais jovem, o qual costuma rejeitar outros gêneros, como o sertanejo e o forró eletrônico.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa está correta porque reproduz fielmente a ideia central do texto: o funk valoriza mais o ritmo e a dança do que a letra e a harmonia, o que o distingue de outros gêneros segundo critérios culturais.

O texto afirma explicitamente: "Uma música que valoriza mais o ritmo, a batida e a dança do que a letra e a harmonia...", mostrando que essa é uma característica destacada do funk.

Além disso, o autor observa que os julgamentos sobre o que é música "pobre" ou "rica" dependem dos valores sociais de diferentes grupos. Dessa forma, a preferência pelo ritmo e pela dança coloca o funk em uma posição distinta em relação a gêneros avaliados por outros valores.

Portanto, a conclusão da alternativa é direta e suportada pelo texto: o funk privilegia ritmo e dança e, por isso, difere de gêneros pautados por valores de outros grupos sociais.

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