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Questão FC217801

O papel mais difícil na família O amor de madrasta e de padrasto é um amor elevado, um amor puramente desinteressado. Eles não têm o benefício da relação automática, do laço do san

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

O papel mais difícil na família

 

O amor de madrasta e de padrasto é um amor elevado, um amor puramente desinteressado. Eles não têm o benefício da relação automática, do laço do sangue, precisam construir com o enteado uma amizade do zero, em que o conselho depende da doçura e da pontualidade para não agredir e não soar como censura.

 

São corajosos, pois alimentam uma relação desprovida de garantia e estabilidade. Enfrentam os rótulos e o preconceito por ocupar, no imaginário da infância, o lugar natural da mãe ou do pai. Provam o seu valor e adquirem credibilidade pouco a pouco. Só a constância da lealdade é que consolidará a influência.

 

Demonstram, na prática, que não vieram substituir ninguém, mas somar amizades e pontos de vista. Surpreendem com uma ternura desobrigada, uma atenção gratuita, uma dedicação sem a recompensa de abraços e beijos fáceis.

 

Talvez não recebam cartãozinho no Dia das Mães e dos Pais, talvez não sejam chamados para as festas da escola, talvez não estejam representados nos desenhos infantis, talvez tenham que superar a carência e entender que as vitórias são secretas e parciais. Andam no trapézio das emoções, evitando sofrer a desqualificação em qualquer embate: “Você não é meu pai”, “Você não é minha mãe”.

 

Não podem despertar a inveja e a concorrência sendo bons demais, nem a preocupação sendo indiferentes. Não podem dar bronca no momento de raiva nem devem ser tolerantes em excesso na alegria. Armados na paciência, amando a paciência, jamais invadem a privacidade, ficam na porta esperando um convite para entrar na sensibilidade dos pequenos.

 

Não há papel mais difícil dentro de casa. Encarnam o equilíbrio. Medirão as palavras e o tamanho do silêncio. Vão se apaixonar por uma pessoa que possivelmente não será para sempre. Mas o amor é para sempre quando o coração se mostra um duradouro ventre.

 

(Fabrício Carpinejar. Jornal Zero Hora. 24.07.2018. Adaptado)

 

É correto afirmar que, segundo o autor da crônica,

  1. o amor de padrastos e madrastas exige bastante paciência e tolerância, mas pode durar para sempre.
  2. os enteados não reconhecem o valor dos padrastos e madrastas, e por isso se afastam na fase adulta.
  3. os padrastos e as madrastas que se apegam afetivamente a seus enteados podem se arrepender no futuro.
  4. as crianças exigem que padrastos e madrastas as amem e lhes deem bronca tanto quanto seus pais e suas mães.
  5. o papel de padrastos e madrastas é facilitado pela distância que eles podem estabelecer em relação aos enteados.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O enunciado está em concordância com a crônica porque o autor destaca, de forma recorrente, que o papel de madrastas e padrastos exige paciência e tolerância. Frases como “Armados na paciência, amando a paciência” e a recomendação de medir palavras e silêncios mostram que a construção do vínculo se dá aos poucos, com cuidado e equilíbrio.

Ao mesmo tempo, o texto admite a possibilidade de permanência afetiva: embora a relação seja frágil e sem garantias, o cronista afirma que “o amor é para sempre” quando o coração se mostra duradouro, indicando que esse amor, cultivado com paciência, pode efetivamente perdurar.

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