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Questão FC217810

Leia o soneto, para responder à questão. O quarto em desordem Na curva perigosa dos cinquenta derrapei neste amor. Que dor! Que pétala sensível e secreta me atormenta e me provoca

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o soneto, para responder à questão.

O quarto em desordem


Na curva perigosa dos cinquenta
derrapei neste amor. Que dor! Que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor


que não se sabe como é feita: amor,
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar


a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso, corpo! corpo, corpo


verdade tão final, sede tão vária,
e esse cavalo solto pela cama,
a passear o peito de quem ama.


(Carlos Drummond de Andrade, Fazendeiro do ar)

 

O eu lírico aborda a temática do amor, confessando-se

  1. desiludido com a pessoa amada que o faz sofrer.
  2. inconformado com a possibilidade de viver esse sentimento.
  3. confiante no futuro, apesar de sentir-se atormentado.
  4. presa do sentimento que o tomou na madureza.
  5. incrédulo diante da ideia de encontrar o ser amado.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Correta: a alternativa indica que o eu lírico está presa a um sentimento que o alcançou na fase madura da vida. A expressão "na curva perigosa dos cinquenta" situa cronologicamente e sugere vulnerabilidade própria da madureza, não de uma paixão juvenil.

Os verbos e imagens — "derrapei neste amor", "me atormenta", e a repetição enfática "corpo! corpo, corpo" — revelam um afetamento físico e psicológico: o amor o domina e o inquieta.

Metáforas como "quinta-essência da palavra" e o "cavalo solto pela cama" apontam para uma experiência intensa, ambígua e incontrolável. Em suma, o eu lírico não descreve escolha ou esperança, mas a condição de quem foi tomado pelo sentimento na madureza.

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