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Questão FC217815

Leia o texto para reseponder a questão. Quanto mais difícil, melhor Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenári

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto para reseponder a questão.

Quanto mais difícil, melhor

 

Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados. Isso significa coabitar com poeira, mofo e populações inteiras de fungos. O problema é que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro voam várias gerações de fungos”.

 

A incompatibilidade entre certas condições físicas e a profissão de seus portadores pode ser dramática. Minha amiga, a feminista Rose Marie Muraro, nascida quase cega, precisava usar óculos muito grossos e lupa para conseguir ler. E qual era sua profissão? Leitora da Editora Vozes. Portinari, para muitos o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas. Morreu em 1962, envenenado por elas, depois de 40 anos de trabalho. E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado:)).

 

Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita – e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.

 

John Wayne, Humphrey Bogart, James Stewart, Frank Sinatra, Bing Crosby, Fred Astaire, Gene Kelly, Henry Fonda e Sean Connery tinham algo em comum: eram carecas. Não que haja problema nisso, mas, na velha Hollywood, Ava Gardner, Grace Kelly e Raquel Welch nunca poderiam ser beijadas por carecas, ainda que galãs. Sem problema – as perucas eram tão perfeitas que ninguém notava.

 

Este artigo deve me custar uns cinco espirros.

 

(Ruy Castro. Folha de S.Paulo, 14.12.2023. Adaptado)

 

No artigo, o jornalista tem o objetivo de

  1. relatar histórias de pessoas que se tornaram grandes talentos em diversas áreas, superando limitações físicas que as acometeram.
  2. explicar a necessidade de olhar com compaixão as pessoas que, por algum motivo, têm limitações em suas vidas profissionais.
  3. justificar por que grandes talentos da humanidade demoraram tanto para se destacarem em suas atividades profissionais.
  4. evidenciar os perigos que rondam diversas atividades profissionais, vistas pelas pessoas como profissões boas para serem seguidas.
  5. mostrar que muitas personalidades sofreram em suas carreiras devido a limitações físicas que impediam a expressão de seus talentos.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Relatar histórias de pessoas que se tornaram grandes talentos em diversas áreas, superando limitações físicas, é o objetivo central do texto. O autor reúne episódios e nomes famosos para mostrar essa ideia de forma direta e ilustrativa.

Ao citar casos como Beethoven, Django Reinhardt, Portinari e outros, o artigo usa exemplos concretos para evidenciar a diversidade de profissões e a variedade de impedimentos — e como esses indivíduos conseguiram resultados extraordinários apesar deles.

O tom é mais observacional e celebratório do que lamentoso: há curiosidade, ironia discreta e admiração pela capacidade de adaptação e criatividade dessas pessoas.

Portanto, o propósito do jornalista é destacar a superação e o fato de que limitações físicas não impedem o desenvolvimento de talento e excelência.

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