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Questão FC217821

Raimundo: – Por quê, rapaz? Por quê?

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto a seguir para responder à questão a seguir.

Compreendo perfeitamente o pintor Raimundo Nogueira. Ele, a mais bem-humorada e a mais cordial de todas as criaturas que conheço, cortou relações há alguns anos com um sujeito. Fez deste o seu único inimigo, negando-lhe cumprimento. E andou certo, a meu ver. O indivíduo em apreço, naquela época ainda em muito boas relações com o Raimundo, era dono duma churrascaria em Ipanema e dum terreno que desejava vender. O pintor se interessou pelo lote e foi vê-lo; no dia seguinte levou a família e, mal chegou ao lugar, ficou indignado e voltou: o proprietário do lote mandara derrubar uma frondosa mangueira que tinha lá. Na churrascaria, houve o seguinte diálogo:

 

Raimundo: – E a árvore? E a mangueira?

 

Dono: – Mandei cortar.

 

Raimundo: – Por quê, rapaz? Por quê?

 

Dono: – Acho que os pretendentes podem ver melhor o terreno sem a árvore.

 

Raimundo: – Ah, é assim, não é? Então, é favor não falar mais comigo.

 

Foi-se embora; desde então, quando passa defronte da churrascaria, Raimundo vira o rosto. Há entre churrasqueiro e pintor uma árvore morta.

 

Não sei com quem brigar, a quem virar o rosto. Mas cortaram também a amendoeira que existia debaixo da minha janela, no quintal ao lado. Era uma das maiores e das mais bonitas amendoeiras do Rio. Foi abaixo, para ceder lugar a uma garagem. Ora, seu tronco era longo, portanto, seria a coisa mais simples do mundo fazer um buraco no teto da garagem para o tronco passar, antes de se abrir em galhos e folhas no alto. A ideia não ocorreu ao proprietário do edifício que se constrói e que julgou ainda mais simples pôr a árvore no chão. Trata-se duma alma irmã à do churrasqueiro. Um sujeito que não merece o meu respeito ou a minha confiança. Assim, em meu nome, no do pintor Raimundo Nogueira e de todas as pessoas que gostam de árvores, eu o mando para o diabo que o carregue.

(Paulo Mendes Campos. Árvores. Disponível em: https://cronicabrasileira.

org.br/cronicas/19359/arvores. Acesso em 23.05.2024. Adaptado)

 

De acordo com o texto, Raimundo Nogueira

  1. costumava irritar-se facilmente com fatos corriqueiros, embora fosse uma pessoa bem-humorada e cordial.
  2. tinha a intenção de comprar tanto a churrascaria quanto o terreno do homem com quem se indispôs.
  3. gostou imensamente do terreno do dono da churrascaria, mas sua família se opôs veementemente à compra do lote.
  4. conheceu o terreno pelo qual se interessara quando este ainda contava com a presença de uma mangueira.
  5. revoltou-se com o fato de o proprietário do terreno não aceitar plantar uma nova árvore no lugar da mangueira.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A opção escolhida está correta porque o texto relata que Raimundo se interessara pelo lote e o visitou antes de voltar com a família; logo em seguida, ao chegar ao local, ficou indignado ao notar que o proprietário mandara derrubar uma frondosa mangueira.

Essa sequência — visita inicial de interesse, retorno com a família e constatação da árvore já cortada — permite concluir que Raimundo conheceu o terreno quando a mangueira ainda existia, e que a sua recusa em prosseguir decorreu diretamente da supressão da árvore.

Portanto, a afirmação de que ele conhecera o lote enquanto este contava com a presença da mangueira está explícita no enunciado e explica a reação posterior do personagem.

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