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Questão FC217833

Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão. SONETO VIII Pede o desejo, dama, que vos veja, Não entende o que pede, está enganado. É este amor tão fino e tão delgado1,

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII


Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.


Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2.


Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.


Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.


(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)


1 delgado: delicado.
2 sobejar: sobrar, ter em excesso.
3 afeito: afeto, sentimento.
4 grave: pesada.
5 assi: assim.

 

Na terceira estrofe, ao comparar seu sentimento com uma pedra, o eu lírico reforça

  1. a inevitabilidade do amor.
  2. a resistência da mulher amada.
  3. a brutalidade do desejo.
  4. o término do relacionamento.
  5. o fundamento da arte poética.
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Gabarito

A

Comentário do professor

"Mas este puro afeito em mim se dana, / Que como a grave pedra tem por arte / O centro desejar da natureza." Aqui o eu lírico compara seu sentimento a uma pedra pesada que, por sua própria condição, tende ao centro.

Essa imagem sugere uma força natural e irresistível: assim como a gravidade impõe à pedra mover-se para o centro, o afeto nele não é mera escolha, mas impulso que o domina.

Ao descrever o amor como inerente e orientado por uma lei da natureza, o verso destaca sua inevitabilidade: o desejo surge e se impõe independentemente da vontade racional, tornando o amar algo inescapável.

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