Questão FC217843
Recuemos cinco séculos no tempo. Vemos uma Europa, que então era o mundo, saída da Idade Média, possuída pela febre tão inquietante quanto bela e fértil do Renascimento, e paradoxa
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Recuemos cinco séculos no tempo. Vemos uma Europa, que então era o mundo, saída da Idade Média, possuída pela febre tão inquietante quanto bela e fértil do Renascimento, e paradoxalmente, envolta em guerras religiosas e conquistas.
Na Península Ibérica, a inquietação criadora tomou outra forma. Povos de navegadores não mais se conformavam em olhar e apenas imaginar o que haveria além do horizonte atlântico. Pagaram para ver, com risco de suas próprias vidas. Tomando o rumo oeste em pequenas embarcações, Colombo (1492) e Cabral (1500) descobriram o Novo Mundo.
Havia, no entanto, muito a descobrir. Desde o fim do século XIII, os europeus sabiam da existência do Grande Império da China, através da narrativa de Marco Polo que lá vivera cerca de 20 anos. Em seu livro, ele fazia referência ao Japão como um país fantasticamente rico, inatingido, localizado ao lado da costa chinesa. Todavia, dois séculos e meio transcorreriam antes que um europeu pisasse em território dos japoneses.
Com a chegada a Tanegashima, praticamente os portugueses completaram seus postulados, desenhos dos continentes e mares, que constituíam os primeiros mapas de navegação.
No primeiro encontro em Tanegashima, os japoneses conheceram a espingarda, que iria alterar profundamente o comportamento bélico de um povo exímio no uso da espada e do arco e flecha. Em 1546, três anos após o primeiro encontro, três naus portuguesas chegaram a Kyushu, dando início ao intercâmbio comercial com o Japão. Durante quatro décadas, até 1587 (quando chegam os espanhóis), os portugueses foram os únicos parceiros europeus no intercâmbio com o Japão.
(Aliança Cultural Brasil-Japão. Cultura Japonesa: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba. Adaptado)
Nas passagens– Vemos uma Europa, que então era o mundo… – e – Pagaram para ver, com risco de suas próprias vidas. –, as expressões grifadas significam, contextual e respectivamente:
- o que se via fisicamente; desistiram.
- o que se imaginava sempre; resignaram-se.
- o que se impunha totalmente; abstiveram-se.
- o que funcionava melhor; duvidaram.
- o que se conhecia mais; arriscaram-se.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na passagem, a expressão "o mundo" não designa o planeta em sentido literal, mas o conjunto de territórios e saberes reconhecidos pelos europeus da época. Em contexto histórico, afirmar que a Europa "era o mundo" equivale a dizer que ela representava o que se conhecia mais — o centro das rotas, das informações e do poder desse período.
Já a locução "pagaram para ver" funciona como uma figura que indica disposição a tomar riscos em busca do desconhecido. Os navegadores não permaneceram passivos: financiaram viagens, enfrentaram perigos e embarcaram rumo ao incerto. Assim, a expressão sintetiza a ideia de arriscaram-se, colocando em jogo vidas e recursos para descobrir novas terras.
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