Questão FC217859
Leia o texto a seguir para responder a questão. A Finlândia é heptacampeã em felicidade. De acordo com o Relatório Mundial de Felicidade de 2024, a Finlândia foi considerada o “paí
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o texto a seguir para responder a questão.
A Finlândia é heptacampeã em felicidade. De acordo com o Relatório Mundial de Felicidade de 2024, a Finlândia foi considerada o “país mais feliz do mundo” (aspas propositais: quem sabe explicar o que é ser feliz?) pelo sétimo ano consecutivo. Entre os 140 países que participaram do estudo, a Dinamarca ficou em segundo e a Islândia em terceiro lugar. A pesquisa mede o que eu chamaria de “Felicidade Nacional Bruta” – algo como o Produto Interno Bruto (PIB) da felicidade – e serve de termômetro para classificar um sentimento tão inexato quanto imensurável.
Tenho minhas ressalvas. Vamos começar pelo próprio termômetro: não entendo como alguém consegue se sentir feliz vivendo em um lugar onde, durante os quatro meses de inverno, o sol nasce às 9h30 e se põe às 15h30 e a temperatura varia entre –5º e –20º. Tenho outro argumento importante: nunca vi um finlandês feliz, talvez porque eu nunca tenha conhecido nenhum finlandês, mas é fato.
A felicidade é subjetiva, não segue uma linha reta, não é binária, não se resume a uma escala numérica, não é ser ou não ser. Comparar culturas diferentes por um critério universal não é tão simples.
A Finlândia tem o hepta, mas só nós temos o Rio de Janeiro, água de coco, abacaxi, caipirinha, brigadeiro, pão de queijo e um pão francês que nem a França tem igual. Eles têm felicidade, mas só aqui há uma alegria sem explicação, praias e calor – não só humano. Lá não há a paixão desenfreada, a bossa nova, a vontade de rir à toa – na vida e da vida. Aqui temos esperança… de um dia nos tornarmos uma Finlândia.
Aqui os sorrisos são gratuitos, lá custam um pouco mais caro. Na Finlândia, vangloriar-se da boa sorte é considerado deselegante (“se você está feliz, deve escondê-lo”, diz um ditado local). Não há sorrisos desnecessários, a felicidade fica confinada para dentro de casa; os sorrisos são discretos, econômicos, quase esquecidos. Já os nossos, cheios de dentes, se reproduzem se nutrindo deles mesmos.
(Becky S. Korich. O que a Finlândia tem que o Brasil não tem? Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em 25.03.2024. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que a autora
- questiona o fato de a Finlândia ter recebido o título de “país mais feliz do mundo”, um sentimento difícil de dimensionar.
- defende a necessidade de mudar os critérios da pesquisa que estabelecem quais países têm maiores índices de felicidade.
- diferencia alegria de felicidade para argumentar que os brasileiros precisam aprender a ser felizes como os finlandeses.
- aponta uma incoerência na pesquisa que coloca países como Dinamarca e Islândia no pódio da felicidade, mesmo sendo tão culturalmente diferentes.
- entende que o calor humano e climático é o que permitiu aos brasileiros criarem comidas e ritmos musicais que refletem sua felicidade.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa está correta porque a autora questiona o reconhecimento da Finlândia como “país mais feliz do mundo”, destacando a dificuldade de mensurar esse sentimento. No texto ela trata a pesquisa como um suposto termômetro e caracteriza a medida como algo “tão inexato quanto imensurável”, sinalizando ceticismo quanto ao título.
Além disso, a autora reforça que a felicidade é subjetiva — não se reduz a números nem segue padrão único — e aponta que comparar culturas distintas por um critério universal não é simples. Esse argumento sustenta a dúvida sobre a validade do laureado título.
Portanto, a alternativa sintetiza corretamente a posição crítica do texto: a autora contesta o título e ressalta a dificuldade de dimensionar a felicidade.
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