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Questão FC217872

Leia o texto para responder à questão Antipatizo com trocadilhos, mas não pude evitar a pérola que dá título a esta crônica. Conheci a expressão “literacura” através do professor S

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder à questão

 

Antipatizo com trocadilhos, mas não pude evitar a pérola que dá título a esta crônica. Conheci a expressão “literacura” através do professor Silvio Volpato, de Parobé, e agora o comentário de um leitor me fez colocá-la em uso. Disse o rapaz que não entende a razão de nos mobilizarmos pelo setor livreiro do Rio Grande do Sul quando há categorias mais importantes a socorrer, como hospitais. É o mesmo assunto, caro leitor. Se, na sua mesa de cabeceira, ao lado da cama, há remédios para colesterol, pressão alta e ansiolíticos que ajudam a pegar no sono, coloque também um livro, pois uma hora você terá que acordar. Não há saúde mental, espiritual e mesmo física que prescinda da literatura.

 

Livro combate a arrogância, um dos males do século. O leitor tem acesso aos sofrimentos dos personagens, se identifica com suas dores e percebe que é tão miserável quanto. Menos um nariz em pé no mundo.

 

Livro é perfeito contra o narcisismo, outra praga moderna. O leitor é capturado pela história de uma escravizada ou pela biografia de um atleta, e claro que cairá no delírio de julgar sua própria história mais interessante, mas, pelo menos por meia hora, se manterá focado na leitura em vez de tagarelar sobre si mesmo. Aliás, livro protege contra calos nas cordas vocais. Bendito hábito silencioso!

 

Vivemos uma pandemia de depressão, que tem atacado jovens sem perspectiva, com a moral em baixa, já que a tecnologia os instiga a se comparar com um monte de boçais comunicativos. A vacina se chama literatura, que os reconecta com seus valores, preenche a alma em vez dos lábios e resgata a autoconfiança, salvando-os de sucumbirem a amostragens superficiais de popularidade.

 

Portanto, doem livros para bibliotecas arrasadas pelas enchentes do sul, comprem livros das editoras gaúchas que ficaram com o estoque submerso e ajudem a manter a cabeça dos gaúchos à tona.

 

(Martha Medeiros. Literacura. https://oglobo.globo.com, 23.06.2024. Adaptado)

 

A partir das colocações feitas pela autora em seu texto, é correto afirmar que

  1. a crítica feita por um leitor demonstra que os brasileiros são caridosos e não aceitam que alguns sofram enquanto outros são auxiliados sem necessitarem de ajuda.
  2. a leitura de um livro exige que as pessoas em volta do leitor se mantenham em silêncio, o que as beneficia, pois aprendem a falar só quando necessário.
  3. o convite feito para doação de livros aos atingidos pelas enchentes serve para reerguer economicamente as livrarias gaúchas.
  4. a necessidade de comparação com o outro pode ser curada pela arte literária por ter esta última efeitos mais profundos que a tecnologia.
  5. o uso que ela faz de uma palavra que não existe (“literacura”) se deu pela necessidade de homenagear um professor, que foi desafiado por um leitor.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa aponta que a necessidade de comparação pode ser tratada pela literatura porque ela produz efeitos mais profundos que a tecnologia. No texto, a autora critica a tecnologia por instigar comparações superficiais e afirma que a leitura reconecta com valores, preenche a alma e resgata a autoconfiança.

Esses trechos mostram que a literatura favorece empatia e reflexão: ao vivenciar dores e trajetórias alheias, o leitor relativiza seu próprio ego e reduz o narcisismo. Já a tecnologia, segundo a crônica, amplifica exposições e comparações vazias.

Portanto, a opção D sintetiza a ideia central: a leitura tem efeito terapêutico e formativo mais profundo frente às armadilhas comparativas promovidas pela tecnologia.

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