Questão FC217880
Leia o texto para responder à questão Creio, logo é! Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsã
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão
Creio, logo é!
Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar na pontaria do arqueiro.
É comum tomarmos decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas.
Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão, buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.
A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.
Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.
Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras concepções” (Bacon, 1620).
(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias. Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado)
O conjunto das ideias expostas pela autora leva à conclusão de que
- as crenças são um fator decisivo para que o indivíduo prove como os fatos são manipulados, para o convencer.
- há uma tendência, no mundo atual, a priorizar as previsões para explicar como os fatos podem mudar a realidade.
- é fácil alterar os próprios pontos de vista e aceitar a opinião contrária, especialmente se mantivermos nossas crenças.
- alimentar estereótipos em vez de aceitar evidências dos próprios equívocos é uma forma de preservar a autoestima.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que alimentar estereótipos em vez de aceitar evidências dos próprios equívocos funciona como mecanismo para preservar a autoestima.
O texto descreve comportamentos como reinterpretar fatos, buscar justificativas irracionais e selecionar informações compatíveis com crenças prévias — fenômenos que caracterizam o autoengano e o viés de confirmação.
Ao favorecer narrativas que confirmam a visão já estabelecida, a pessoa evita a sensação desconfortável de erro ou perda de valor pessoal. Esse processo dificulta a reconstrução cognitiva, pois exigir aceitar contradições implica admitir falhas e confrontar o grupo de pertencimento.
Portanto, a alternativa sintetiza corretamente a ideia central do texto: a manutenção de estereótipos serve como estratégia psicológica para proteger a autoestima diante de evidências contrárias.
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