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Questão FC217881

Leia o texto para responder à questão Creio, logo é! Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsã

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o texto para responder à questão

 

Creio, logo é!

 

Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções. Se uma previsão falha, em vez de abandonarmos a crença, buscamos explicações, muitas vezes, irracionais para justificar ou atenuar o erro e alimentar a crença na previsão. É como desenhar o alvo em torno da flecha e acreditar na pontaria do arqueiro.

 

É comum tomarmos decisões baseadas em preferências inconsistentes, com consequências reais, simplesmente por rejeitarmos informações e evidências contrárias às nossas crenças. O autoengano é uma forma de proteger a autoestima e evitar o confronto com a possibilidade de que nossas certezas estejam erradas.

 

Quando temos uma opinião positiva sobre uma questão, buscamos mensagens positivas a respeito de tal fato; quando a visão é negativa, buscamos mensagens negativas sobre a questão. De maneira tendenciosa, escolhemos informações ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.

 

A formação ou modificação de uma opinião envolve reestruturação cognitiva, um processo de aprendizagem. Todos nós temos alguma dificuldade em reconhecer nossos erros e reconfigurar nossas ideias. Não é tranquilo desconstruir concepções antigas, porém reafirmadas, o tempo todo, na contemporaneidade, por força dos grupos aos quais pertencemos.

 

Temos a percepção equivocada de que apenas as nossas crenças são úteis ou corretas. Torturamos os fatos e as evidências contrárias até que eles confessem o que pretendemos.

 

Mas tudo isso é muito antigo. “Uma vez que o entendimento de um homem se baseia em algo, seja porque é uma crença já aceita ou porque o agrada, isso atrai tudo a sua volta para apoiar e concordar com a opinião adotada. Mesmo que um número maior de evidências contrárias seja encontrado, ele as ignora ou desconsidera, ou faz distinções sutis para rejeitá-las, preservando a autoridade de suas primeiras concepções” (Bacon, 1620).

 

(Mara Lúcia Madureira. Painel de ideias. Diário da Região, 28.03.2024. Adaptado)

 

A citação do filósofo Francis Bacon, no último parágrafo, é empregada pela autora como argumento que

  1. leva a uma revisão dos argumentos já expostos, graças à apresentação de novas ideias.
  2. retoma afirmações feitas no texto, reiterando-as e conferindo a elas maior credibilidade.
  3. aponta ao leitor lacunas na abordagem do tema, sugerindo que procure mais informações.
  4. expressa sua vasta cultura, embora a citação se mostre anacrônica para abordar o tema.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Retoma as ideias desenvolvidas ao longo do texto — sobretudo a crítica ao viés de confirmação e ao autoengano — reiterando que esse comportamento humano não é contemporâneo nem isolado.


Ao citar Francis Bacon, a autora alia sua observação atual a uma autoridade histórica, o que confere maior credibilidade às afirmações: mostra que pensadores consagrados já identificavam o mesmo fenômeno.


Esse recurso reforça a tese central ao oferecer um referencial externo e cronologicamente distante, transformando uma descrição psicológica em um argumento mais sólido e persuasivo para o leitor.

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