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Questão FC217889

Leia o poema a seguir para responder à questão Vizinha Vizinha, me dá um pouco da tua sopa me deixa partilhar o azeite e as batatas da tua ceia estou tão triste. A esta hora da noi

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o poema a seguir para responder à questão

 

Vizinha

 

Vizinha, me dá um pouco da tua sopa me deixa partilhar o azeite e as batatas da tua ceia estou tão triste.

 

A esta hora da noite vocês são ao redor da mesa uma família e o vapor da sopa embaça os óculos do homem e as crianças riem.

 

Sei muito bem das tuas dificuldades que o dinheiro é pouco e a paixão já se acabou porém, vizinha, tua sopa cheira bem, teus filhos estão crescendo, tens um canário e rosas e não sabes de nada; abre a porta, vizinha, e me admite no seio dessa coisa que um dia eu supus acabada que eu detesto e desejo e não compreendo.

 

Por favor, por favor, deixa-me entrar, vizinha. Estou tão triste.

 

(Renata Pallottini. Cerejas, meu amor... São Paulo: Ed. Massao Ohno, 1982. Adaptado).

 

A partir da leitura do poema, é correto afirmar que

  1. a tristeza do eu-lírico tem a ver com sua vontade de ter uma família.
  2. a vizinha chama com frequência a poeta para partilhar a sopa.
  3. o pedido da poeta é prontamente atendido pela vizinha.
  4. a sopa da vizinha costuma impressionar os outros vizinhos também.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Tristeza do eu‑lírico está ligada ao desejo explícito de pertencer a um núcleo familiar. O poema contrapõe a solidão do narrador ao calor da casa vizinha: o apelo “Vizinha, me dá um pouco da tua sopa” e “por favor, deixa‑me entrar” revela fome não só física, mas afetiva.


A descrição da cena familiar — “o vapor da sopa embaça os óculos do homem”, “as crianças riem”, o canário e as rosas — constrói um quadro de convivência estável onde o eu‑lírico não participa. Essa distância provoca melancolia e um desejo de integração.


Expressões como “admite no seio dessa coisa” e “detesto e desejo” mostram ambivalência: há repulsa racional, mas predomina a necessidade emocional de ter uma família, explicando sua tristeza.

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