Questão FC217927
Leia o Texto, para responder à questão. A natureza humana imutável Mudam os modismos, mudam os costumes, mas certas coisas nunca mudam. Quando se trata do ser humano, há certas car
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o Texto, para responder à questão.
A natureza humana imutável
Mudam os modismos, mudam os costumes, mas certas coisas nunca mudam. Quando se trata do ser humano, há certas características um tanto rígidas, paixões imutáveis. É o que nos permite ler as tragédias gregas ou shakespearianas e compreender exatamente os sentimentos expressados ali, apesar dos séculos que nos separam e criam contextos um tanto distintos.
Compreender o que não muda nunca quando se trata do bicho-homem é importante para não cair em tentações revolucionárias de criar o “novo-homem” e um “novo mundo”.
Os conservadores são mais realistas nesse aspecto do que os progressistas. Eles sabem que “é aquilo que é”, ou seja, precisamos trabalhar com a matéria-prima que temos, imperfeita, sujeita a certas inclinações inalteráveis, independentemente da época.
Prever como será o mundo daqui a 50 anos é impossível. Mas prever que as pessoas ainda responderão à ganância, ao medo, à oportunidade, à exploração, ao risco, à incerteza, às aflições tribais e à persuasão social da mesma forma é uma aposta mais segura.
Os que procuram olhar o copo meio cheio e aceitar as contingências do destino com alguma resignação parecem viver mais felizes. Sua felicidade depende mais de suas expectativas do que de qualquer outra coisa. Portanto, em um mundo que tende a melhorar para a maioria das pessoas na maior parte do tempo, uma habilidade importante para a vida é fazer com que a trave pare de se mover. Também é uma das mais difíceis. A grama do vizinho é sempre mais verde, e a inveja é uma daquelas paixões mesquinhas que nunca desaparecem por completo…
Montesquieu escreveu, há 275 anos: “Se você apenas desejasse ser feliz, isso seria facilmente conseguido; mas desejamos ser mais felizes do que as outras pessoas, e isso sempre é difícil, pois acreditamos que os outros são mais felizes do que são.” Isso, na era do Instagram, piorou bastante.
A economia de hoje é boa em gerar três coisas: a riqueza, a capacidade de exibir riqueza e uma grande inveja pela riqueza dos outros.
O homem odeia as incertezas e almeja uma falsa sensação de segurança. O filósofo conclui: “A ideia de que o que está à nossa frente é um buraco negro de incerteza pode ser tão intimidante que é mais fácil acreditar no oposto – que podemos ver o futuro e que seu caminho é lógico e previsível. Nenhuma crença na história é tão comum e nenhuma crença é tão consistentemente errada.”
(Rodrigo Constantino, Revista Oeste, 02.02.2024. Adaptado)
Do ponto de vista do autor, no conjunto das mutações ao longo dos tempos,
- ainda não se definiram as ações humanas capazes de fazer previsões acerca do futuro da humanidade.
- destaca-se a possibilidade de preservar o bem-estar coletivo com posturas que tentam recriar o homem.
- excetua-se o homem, que preserva alguns de seus traços, com poucas expectativas de alterações.
- constata-se a mudança significativa de sentimentos destrutivos na sociedade contemporânea.
- novos princípios e valores se apresentam, para se contrapor à inércia do ser humano na modernidade.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente a ideia central do texto: apesar das mudanças de modismos e costumes, o autor defende que a natureza humana mantém traços permanentes. Isso explica a expressão “certezas imutáveis” sobre comportamentos básicos.
No texto, o autor lista várias paixões imutáveis — ganância, medo, inveja, busca por segurança — como evidência de que o homem conserva aspectos fundamentais ao longo do tempo. Essas menções sustentam a afirmação de que há poucas expectativas de alterações no cerne do comportamento humano.
Além disso, a citação de Montesquieu sobre a comparação com os outros e a observação sobre a economia contemporânea reforçam a continuidade desses traços. Assim, a alternativa resume com precisão a posição do autor: o homem é a exceção à mutabilidade histórica, preservando certos traços fundamentais.
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