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Questão FC217929

Leia o Texto, para responder à questão. A natureza humana imutável Mudam os modismos, mudam os costumes, mas certas coisas nunca mudam. Quando se trata do ser humano, há certas car

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2024

Leia o Texto, para responder à questão.

A natureza humana imutável

 

Mudam os modismos, mudam os costumes, mas certas coisas nunca mudam. Quando se trata do ser humano, há certas características um tanto rígidas, paixões imutáveis. É o que nos permite ler as tragédias gregas ou shakespearianas e compreender exatamente os sentimentos expressados ali, apesar dos séculos que nos separam e criam contextos um tanto distintos.

 

Compreender o que não muda nunca quando se trata do bicho-homem é importante para não cair em tentações revolucionárias de criar o “novo-homem” e um “novo mundo”.

 

Os conservadores são mais realistas nesse aspecto do que os progressistas. Eles sabem que “é aquilo que é”, ou seja, precisamos trabalhar com a matéria-prima que temos, imperfeita, sujeita a certas inclinações inalteráveis, independentemente da época.

 

Prever como será o mundo daqui a 50 anos é impossível. Mas prever que as pessoas ainda responderão à ganância, ao medo, à oportunidade, à exploração, ao risco, à incerteza, às aflições tribais e à persuasão social da mesma forma é uma aposta mais segura.

 

Os que procuram olhar o copo meio cheio e aceitar as contingências do destino com alguma resignação parecem viver mais felizes. Sua felicidade depende mais de suas expectativas do que de qualquer outra coisa. Portanto, em um mundo que tende a melhorar para a maioria das pessoas na maior parte do tempo, uma habilidade importante para a vida é fazer com que a trave pare de se mover. Também é uma das mais difíceis. A grama do vizinho é sempre mais verde, e a inveja é uma daquelas paixões mesquinhas que nunca desaparecem por completo…

 

Montesquieu escreveu, há 275 anos: “Se você apenas desejasse ser feliz, isso seria facilmente conseguido; mas desejamos ser mais felizes do que as outras pessoas, e isso sempre é difícil, pois acreditamos que os outros são mais felizes do que são.” Isso, na era do Instagram, piorou bastante.

 

A economia de hoje é boa em gerar três coisas: a riqueza, a capacidade de exibir riqueza e uma grande inveja pela riqueza dos outros.

 

O homem odeia as incertezas e almeja uma falsa sensação de segurança. O filósofo conclui: “A ideia de que o que está à nossa frente é um buraco negro de incerteza pode ser tão intimidante que é mais fácil acreditar no oposto – que podemos ver o futuro e que seu caminho é lógico e previsível. Nenhuma crença na história é tão comum e nenhuma crença é tão consistentemente errada.”

 

(Rodrigo Constantino, Revista Oeste, 02.02.2024. Adaptado)

 

No quinto parágrafo, a associação entre as ideias de Montesquieu acerca da felicidade e a referência do autor ao Instagram consiste em

  1. adesão sem restrições às ideias do filósofo, diante da constatação da riqueza de informações trazida pela tecnologia.
  2. contestação parcial das ideias do filósofo por meio da menção a aspectos negativos da rede social.
  3. afirmação da validade dos pressupostos do Instagram, apresentando as ideias do filósofo como argumento.
  4. constatação da potencialização, nos tempos atuais, do sentimento que leva as pessoas a desejarem o os bens de outrem.
  5. discussão acerca dos objetivos da rede social, destacando o argumento de Montesquieu sobre o valor desta na economia.
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Gabarito

D

Comentário do professor

O autor retoma a observação de Montesquieu — que desejamos ser mais felizes que os outros porque presumimos que eles o são — para mostrar que essa inclinação comparativa foi amplificada nos dias atuais.

Ao afirmar que, “na era do Instagram, piorou bastante”, ele indica a potencialização da inveja e da comparação social: a visibilidade constante de imagens de sucesso e bens alheios reforça a crença de que o outro é mais feliz.

Portanto, a ligação entre a citação de Montesquieu e a menção ao Instagram é a constatação de que as redes digitais intensificam o sentimento que leva as pessoas a desejar os bens dos outros.

O texto ainda observa que a economia moderna facilita essa dinâmica ao gerar não só riqueza, mas meios de exibição, ampliando a frustração comparativa.

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