Questão FC217974
Leia o texto a seguir para responder à questão seguinte. Quando o cego, em reunião na casa dum amigo, disse que gostaria de viver numa cidade cuja temperatura oscilasse entre quinz
Interpretação de Textos (Compreensão)
VUNESP · 2024
Leia o texto a seguir para responder à questão seguinte.
Quando o cego, em reunião na casa dum amigo, disse que gostaria de viver numa cidade cuja temperatura oscilasse entre quinze e vinte graus e cujo céu todos os dias fosse azul, ninguém sentiu vontade de sorrir. Nem cheguei a sentir um alegre arrepio de tristeza. Ele falou com a voz clara e cheia de sentido. Nós todos entendemos, entendemos de repente um espaço emocional extraordinário, que desconhecíamos: o azul do céu não é uma cor, mas uma qualidade do mundo, uma luminosidade de todos os sentidos, uma fragrância, um ar mais delicado, um concerto de sons, uma transparência do universo.
Nos dias cinzentos, o mundo é opaco e áspero; as pessoas falam com um timbre de voz mais rouco e inquieto; os pássaros não cantam; a brisa é mais úmida; o ar, mais pesado. O cego desejava que todos os dias fossem azuis; precisava dos dias azuis mais do que nós, os distraídos na multiplicidade do mundo, dispersados em tantas sensações supérfluas. Um poeta disse uma vez que Deus é azul. Não creio. Mas creio nos poetas. Creio nos cegos. Creio no azul.
(Paulo Mendes Campos. Palavras pessoais. 05.11.1960. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/. Acesso em 24.06.2024)
A partir da leitura da crônica, é correto afirmar que as pessoas não sentiram vontade de sorrir das palavras do cego porque
- compreenderam que ele não conhecia as cores e, por isso, não era capaz de diferenciar um céu azulado de um céu cinzento.
- sentiram compaixão pelo fato de ele desejar um céu azul, mesmo que isso não tivesse qualquer sentido devido à sua deficiência visual.
- pensaram que falar da cor do céu poderia gerar um constrangimento no grupo e preferiram desviar do assunto falando de temperatura.
- perceberam que o azul do céu poderia ser sentido não apenas pela visão, mas por outros atributos que compõem um dia de céu aberto.
- notaram que o cego percebia o azul pela fragrância do ar, do mesmo modo como ele notava, pelo cheiro, as diferentes cores nos objetos ao seu redor.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que os presentes não sorriram porque passaram a entender o alcance do desejo do cego: ele falava do azul como algo além da visão.
No texto, essa compreensão fica clara quando se diz que o azul "não é uma cor, mas uma qualidade do mundo": uma luminosidade, uma fragrância, um concerto de sons — elementos que afetam vários sentidos.
Ao reconhecerem essa descrição, os ouvintes descobriram um "espaço emocional extraordinário": perceberam que o cego experienciava o céu aberto de modo multissensorial, valorizando temperatura, timbre, leveza do ar e outros traços.
Portanto, não houve escárnio nem pena, mas um entendimento profundo de que o desejo por dias azuis tinha sentido pleno mesmo sem a visão, razão pela qual a alternativa é correta.
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