FC ConcursosFC Concursos

Questão FC217999

Leia o texto a seguir para responder à questão. Calor, novo obstáculo à educação A onda de calor que fez os termômetros ultrapassarem 40 ºC em diversas regiões do País há alguns di

Tipologia e Gênero Textual

VUNESP · 2025

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Calor, novo obstáculo à educação

 

A onda de calor que fez os termômetros ultrapassarem 40 ºC em diversas regiões do País há alguns dias escancarou uma realidade de cuja importância poucos se deram conta até aqui: o despreparo das escolas públicas para enfrentar as altas temperaturas. O fato de muitas escolas padecerem de estrutura ruim já seria problemático em tempos normais, mas se torna mais dramático diante do novo normal decorrente das mudanças no clima. Instalações com pouca circulação de ar, sem ar-condicionado e com rede elétrica precária, salas superlotadas, ventiladores quebrados, quadras poliesportivas sem cobertura e falta d’água são incompatíveis com o calor excessivo do presente e do futuro. Como escreveu a jornalista Renata Cafardo neste jornal, “o aquecimento global já impacta a educação hoje e agora” e “não há mais como enfrentar a crise de aprendizagem no País ignorando a crise climática”.

 

Não mesmo. Recentemente, no Rio Grande do Sul, a Justiça impediu a volta às aulas porque as temperaturas chegariam a 43 ºC, num Estado que já precisou fechar as portas de suas escolas em razão das enchentes do ano passado. No Rio de Janeiro, alunos, professores e funcionários de escolas públicas fizeram protestos contra as más condições. Com 200 entre 1.234 unidades de ensino no Estado sem climatização, o governo fluminense autorizou escolas a reduzir à metade a carga horária presencial durante a onda de calor. Relatos de crianças passando mal e se ausentando das aulas foram vistos e ouvidos em diferentes regiões, inclusive na capital paulista e em cidades do litoral norte do Estado.

 

Uma pesquisa do Instituto Alana e do MapBiomas mostra que seis em cada dez escolas brasileiras estão localizadas em ilhas de calor. Em um terço das capitais, pelo menos metade das escolas – públicas ou particulares – ficam em locais que apresentam desvios de temperatura considerados altos, pois registram pelo menos 3,5 ºC a mais de temperatura de superfície em seu território do que a média urbana. Isso afeta a vida e a aprendizagem de cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes. A falta de vegetação e a urbanização desenfreada são fatores que contribuem para essa situação: 78% das escolas mais quentes não têm área verde no lote ou têm menos de 20% de cobertura vegetal.

 

São números e relatos que emitem um grito de alerta em escala nacional. Estudos demonstram que o calor extremo compromete a saúde e a capacidade cognitiva dos alunos, afeta o desenvolvimento do corpo e do cérebro de crianças e prejudica a aprendizagem pelo impacto sobre o raciocínio e a memória. Com efeito, trata-se menos de colocar o dedo em riste para o que não se fez até aqui e mais de direcionar esforços para responder às exigências do novo clima. Em áreas como a cidade de São Paulo, por exemplo, conforto térmico nunca pareceu ser exatamente um problema a resolver. Eram outros tempos.

 

Há uma urgência em curso e ela passa por uma solução que, mesmo não sendo a ideal, é a possível num estado de emergência: a instalação de equipamentos de ar-condicionado. A essa tarefa estão convocados, desde já, o governo federal, governos estaduais e prefeituras. O custo social, nesse caso, será inquestionavelmente maior que o custo financeiro dessa adaptação. Ou mais uma vez condenaremos estudantes a ficar sem aulas presenciais e retroceder numa aprendizagem já deficiente.

 

(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 27.02.2025. Adaptado)

 

Considere as passagens:

 

• Instalações com pouca circulação de ar, sem ar- condicionado e com rede elétrica precária, salas superlotadas, ventiladores quebrados, quadras poliesportivas sem cobertura e falta d’água são incompatíveis com o calor excessivo do presente e do futuro.

• Como escreveu a jornalista Renata Cafardo neste jornal, “o aquecimento global já impacta a educação hoje e agora” e “não há mais como enfrentar a crise de aprendizagem no País ignorando a crise climática”.

 

Com relação à organização das informações no texto, é correto afirmar que o primeiro trecho é predominantemente

  1. expositivo, no qual há emprego de advérbios de intensidade, com o propósito de enfatizar a problemática discutida; e o segundo trecho estabelece intertextualidade explícita com o texto da jornalista Renata Cafardo, com o propósito de defender o ponto de vista do jornal sobre o tema.
  2. expositivo, no qual há emprego de substantivos concretos que remetem aos objetos e espaços com problemas, com o propósito de mostrar a condição das escolas; e o segundo estabelece intertextualidade implícita com o texto da jornalista Renata Cafardo, com o propósito de ampliar a discussão do tema.
  3. argumentativo, no qual há emprego abundante de substantivos abstratos, com o propósito de dimensionar a problemática apresentada; e o segundo trecho estabelece intertextualidade explícita com o texto da jornalista Renata Cafardo, com o propósito de relativizar o ponto de vista do jornal sobre o tema.
  4. descritivo, no qual há emprego abundante de adjetivos, com o propósito de reforçar a problemática discutida; e o segundo trecho estabelece intertextualidade explícita com o texto da jornalista Renata Cafardo, com o propósito de sustentar o ponto de vista do jornal sobre o tema.
  5. descritivo, no qual há emprego de expressões indefinidas, com o propósito de atenuar a problemática discutida; e o segundo trecho estabelece intertextualidade implícita com o texto da jornalista Renata Cafardo, com o propósito de reforçar o ponto de vista do jornal sobre o tema.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

O gabarito indica corretamente que o primeiro trecho é predominantemente descritivo. Ele lista condições materiais (salas, ventiladores, rede elétrica, quadras) qualificadas por vários adjetivos — “precária”, “superlotadas”, “quebrados” — e não desenvolve uma tese nem explica causas em profundidade: descreve cenário e intensifica a gravidade por meio da qualificação.


A segunda passagem estabelece intertextualidade explícita. A fórmula “Como escreveu a jornalista Renata Cafardo neste jornal” seguida de citação direta é marca clara de referência textual, com aspas e nome do autor.


O efeito comunicativo dessa intertextualidade é sustentar o ponto de vista editorial: a citação funciona como evidência e reforço da argumentação do jornal, agregando autoridade externa à posição defendida.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo