Questão FC218035
Leia um trecho do romance “A gorda”, da escritora portuguesa Isabela Figueiredo. Já estamos habituados a cães abandonados que vêm parar à nossa rua. O Bobi também viveu quase duas
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
VUNESP · 2024
Leia um trecho do romance “A gorda”, da escritora portuguesa Isabela Figueiredo.
Já estamos habituados a cães abandonados que vêm parar à nossa rua. O Bobi também viveu quase duas décadas no pátio das traseiras do prédio. Do alto do sexto andar víamo-lo acoitar-se debaixo dos carros, fugindo à chuva. A certa altura, o papá comprou-lhe uma casota de cimento, que a loja veio entregar. O Bobi era quase como se fosse nosso, mas vivia na rua. Alguma vizinhança assomou à janela e apreciou o feito do papá. Mas estamos no mundo e, como de costume, outros censuraram. Eu e o papá temos fama de proteger os animais. E é má. Reclamam que ladram, que podem morder e transmitem doenças. Que somos os culpados de não se irem embora porque os alimentamos. Nas nossas costas há sempre alguém a enxotá-los ou a magoálos. Pessoas que se cruzam conosco fingindo ser do bem, mas nos impugnam pelas costas. Denunciam a presença do cão vadio à câmara e a carroça costuma aparecer de madrugada, com homens súbitos que procuram caçá-lo com redes. Quando não consegue escapar, o Bobi é levado para o canil municipal. Na manhã seguinte, eu e o papá deslocamonos ao canil e confirmamos a sua presença atrás das grades. Seguimos para a Câmara, pagamos a multa e voltamos para o resgatar. Fazemos o caminho a pé para casa, calmamente; ele ao nosso lado. O Bobi não entra em carros. Eu e o papá vamos-lhe pedindo que tenha cuidado com as doenças que as pessoas podem transmitir-lhe. Explicamos que a picada ou mordedura dos humanos é mortal. Embora nos ríamos da conversa que entabulamos, eu e o papá estamos fartos de gente.
(Isabela Figueiredo. “A gorda”. Editora Todavia, 2021. Adaptado)
Assinale a alternativa em que as frases apresentadas estão em conformidade com o sentido do texto.
- Ainda que alimentemos os cães, por isso as pessoas nos culpam de eles não se irem embora. / Se não consegue escapar, Bobi é levado para o canil, ou, na manhã seguinte, saímos para resgatá-lo.
- Uma vez que alimentamos os cães, com efeito as pessoas nos culpam de eles não se irem embora. / Mesmo que não consiga escapar, Bobi é levado para o canil, salvo se, na manhã seguinte, saímos para resgatá-lo.
- Como alimentamos os cães, consequentemente as pessoas nos culpam de eles não se irem embora. / Caso não consiga escapar, Bobi é levado para o canil, todavia, na manhã seguinte, saímos para resgatá-lo.
- Visto que alimentamos os cães, a princípio as pessoas nos culpam de eles não se irem embora. / Enquanto não consegue escapar, Bobi é levado para o canil, não obstante, na manhã seguinte, saímos para resgatá-lo.
- Sem que alimentemos os cães, ainda assim as pessoas nos culpam de eles não se irem embora. / À medida que não consegue escapar, Bobi é levado para o canil, assim sendo, na manhã seguinte, saímos para resgatá-lo.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Como e consequentemente estabelecem claramente a relação de causa e efeito presente no trecho original: alimentar os cães é a causa; a consequência é que as pessoas os responsabilizam por não irem embora. Assim, a oração conserva o sentido do "porque" do texto.
Caso introduz uma condição equivalente a "quando/ se não consegue escapar": expressa que, na hipótese de Bobi não escapar, ele é levado ao canil. Essa formulação mantém a dependência condicional do evento.
Todavia funciona como conector adversativo, indicando oposição entre o fato de ser recolhido e a atitude seguinte: apesar de ir ao canil, na manhã seguinte os narradores o resgatam. Portanto, a sequência condicional seguida da ação de resgate preserva o sentido global do original.
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