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Questão FC218039

Panaceia indígena Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique. Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. A perna do cacique estava inchada, mais inc

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

VUNESP · 2024

Panaceia indígena

 

Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique. Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. A perna do cacique estava inchada, mais inchada que coxa de corista veterana. Tinha pisado num espinho envenenado. O pajé examinou, deu uns dois ou três roncos de pajé e depois aconselhou:

 

– Chefe tem passar perna folha de galho passarinho azul sentou.

 

Disse e se mandou, ficando os índios do staff1 do cacique encarregados de arranjar a tal folha. Depois de muito procurarem, viram um sanhaço pousado num galho de mangueira e trouxeram algumas folhas. Mas – eu pergunto – o cacique melhorou? E eu mesmo respondo: aqui! ó...

 

No dia seguinte estava com a perna mais inchada. Chamaram o pajé de novo. O pajé veio, examinou e lascou: “Hum-hum... perna grande guerreiro melhorou nada com folha galho passarinho azul pousou. Precisa lavar com água de lua.”

 

Disse e se mandou. O staff arranjou uma cuia e botou a bichinha bem no meio da maloca, cheia de água, que era pra – de noite – a lua refletir nela. Foi o que aconteceu. De noite houve a lua e, de manhãzinha, foram buscar a cuia e lavaram com a água a perna do cacique.

 

O pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom, porque não foi mais chamado. Passados uns dias, no entanto, voltaram a apelar para seus dotes de curandeiro. Lá foi o pajé para a tenda do cacique, encontrando-o deitado e com uma perna mais inchada que cabeça de botafoguense. Aí o pajé achou que já era tempo de acabar com aquilo. Examinou bem, fez um exame minucioso e sentenciou:

 

– Cacique vai perdoar pajé, mas único jeito é tomar penicilina.

 

(Stanislaw Ponte Preta. Dois amigos e um chato, 1986. Adaptado)

1 grupo de indivíduos que assessora um dirigente, um político etc.

 

De acordo com a norma-padrão de pontuação, regência e emprego de pronomes, as informações presentes na frase – Chefe tem passar perna folha de galho passarinho azul sentou. (2º parágrafo) – estão adequadamente reescritas em:

  1. Cacique, o senhor, tem de encontrar uma folha de galho que um passarinho sentou e passá-la na perna.
  2. Cacique, o senhor tem de encontrar uma folha de galho em que um passarinho sentou e passá-la na perna.
  3. Cacique, o senhor tem de encontrar uma folha de galho em que um passarinho sentou e passar ela na perna.
  4. Cacique o senhor tem de encontrar uma folha de galho que um passarinho sentou e passar-lhe na perna.
  5. Cacique o senhor, tem de encontrar uma folha de galho o qual um passarinho sentou e passar ela na perna.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A frase da alternativa está correta porque corrige pontuação, regência e emprego pronominal, mantendo sentido e fluidez adequados.

O termo “Cacique” funciona como vocativo e deve ser isolado por vírgula; não se usa vírgula entre o sujeito (o senhor) e a locução verbal, por isso não há vírgula depois de senhor.

Emprega‑se “em que” na oração relativa porque o verbo sentar rege a preposição em (regência verbal): «um passarinho sentou em um galho» → «uma folha de galho em que um passarinho sentou».

O pronome átono a retoma folha como objeto direto; unido ao infinitivo resulta em passá‑la (forma correta após verbo terminado em -r, com hífen). Por fim, na perna indica o lugar da ação.

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