Questão FC218040
Panaceia indígena Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique. Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. A perna do cacique estava inchada, mais inc
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
VUNESP · 2024
Panaceia indígena
Diz que o pajé da tribo foi chamado à tenda do cacique. Quando o pajé entrou, o cacique estava deitado meio gemebundo. A perna do cacique estava inchada, mais inchada que coxa de corista veterana. Tinha pisado num espinho envenenado. O pajé examinou, deu uns dois ou três roncos de pajé e depois aconselhou:
– Chefe tem passar perna folha de galho passarinho azul sentou.
Disse e se mandou, ficando os índios do staff1 do cacique encarregados de arranjar a tal folha. Depois de muito procurarem, viram um sanhaço pousado num galho de mangueira e trouxeram algumas folhas. Mas – eu pergunto – o cacique melhorou? E eu mesmo respondo: aqui! ó...
No dia seguinte estava com a perna mais inchada. Chamaram o pajé de novo. O pajé veio, examinou e lascou: “Hum-hum... perna grande guerreiro melhorou nada com folha galho passarinho azul pousou. Precisa lavar com água de lua.”
Disse e se mandou. O staff arranjou uma cuia e botou a bichinha bem no meio da maloca, cheia de água, que era pra – de noite – a lua refletir nela. Foi o que aconteceu. De noite houve a lua e, de manhãzinha, foram buscar a cuia e lavaram com a água a perna do cacique.
O pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom, porque não foi mais chamado. Passados uns dias, no entanto, voltaram a apelar para seus dotes de curandeiro. Lá foi o pajé para a tenda do cacique, encontrando-o deitado e com uma perna mais inchada que cabeça de botafoguense. Aí o pajé achou que já era tempo de acabar com aquilo. Examinou bem, fez um exame minucioso e sentenciou:
– Cacique vai perdoar pajé, mas único jeito é tomar penicilina.
(Stanislaw Ponte Preta. Dois amigos e um chato, 1986. Adaptado)
1 grupo de indivíduos que assessora um dirigente, um político etc.
Considerando o sentido original, a reescrita da frase – O pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom, porque não foi mais chamado. (6º parágrafo) – atende à norma- -padrão em:
- Como não o chamaram mais, o pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom.
- Embora não tenham-lhe chamado mais, o pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom.
- O pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom, pois não tinham chamado-o mais.
- O pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom, à medida que não mais chamaram-lhe.
- Quando não mais chamaram-no, o pajé até já tinha pensado que o chefe ficara bom.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A frase reescrita mantém a mesma relação de causa e consequência do original: a falta de chamadas motivou o pajé a concluir que o chefe estava curado. A conjunção Como, colocada no início, introduz corretamente a oração causal e permite inverter a ordem sem alterar o sentido.
Do ponto de vista normativo, a construção está correta quanto à colocação pronominal: em «Como não o chamaram mais» o pronome oblíquo o (objeto direto) aparece antes do verbo por força do elemento atrativo «não» (próclise obrigatória). A referência do pronome é clara e mantém a coerência referencial com «o pajé» na oração seguinte.
Assim, a reescrita respeita a norma-padrão e preserva com fidelidade o sentido da frase original.
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