Questão FC218060
Leia o texto para responder à questão. Sensações apocalíticas Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredõ
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
VUNESP · 2024
Leia o texto para responder à questão.
Sensações apocalíticas
Na capa do jornal Estado de terça-feira, uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa, quase opaca. Na TV, paredões de fogo se levantam e marcham. A olho nu, a fuligem se derrama sobre a cidade; filamentos de carvão vindos no vento aterrissam como libélulas no capô do automóvel de um milhão de reais. O desastre climático é um desastre social, que castiga antes os de baixo, mas quando se impõe para valer não respeita a segregação entre as classes. Não respeita nada, cobre até os astros no céu. A Lua fica vermelha, como se obedecesse ao Apocalipse (6:12): “Inteira como sangue”.
Sol prata, chuva preta (isso quando chove). Aumentam as internações nos hospitais. Sobem os óbitos por problemas respiratórios. O noticiário dá conta de que um território equivalente ao Estado de Roraima já virou cinza. A realidade se mostra pior do que as previsões da teoria.
O livro A Terra Inabitável, do jornalista americano David Wallace-Wells, passava por pessimista ao ser lançado, em 2017, mas agora parece brando. Seu alerta de que o descongelamento do solo do Alasca e da Sibéria liberaria gases de efeito estufa e ressuscitaria micro-organismos capazes de desencadear epidemias desconhecidas foi superado por cenários ainda mais assustadores.
O cientista Carlos Nobre se declarou “apavorado”. Num artigo publicado no UOL, ele retomou o adjetivo que deu título ao livro de Wallace-Wells e sentenciou: “Se a temperatura global aumentar em 4º C até 2100, grande parte do planeta, incluindo o Brasil, pode se tornar inabitável”. O Rio Solimões se reduziu a um riacho fantasma, inabitável para peixes. As metrópoles estrebucham entre dois extremos: no primeiro, inundações infectas alagam as casas com doenças e lama; no segundo, a seca ameaça matar de sede os moradores.
Para onde quer que se olhe, proliferam os sinais de esfacelamento generalizado.
(Eugênio Bucci, Sensações Apocalíticas. Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 19.09.2024. Adaptado)
Considere as passagens:
• ... uma foto mostra Brasília submersa em fumaça densa...
• ... que castiga antes os de baixo...
• Sobem os óbitos por problemas respiratórios.
• ... a seca ameaça matar de sede os moradores.
De acordo com a norma-padrão e o sentido original, a reescrita de Brasília submersa em fumaça densa, o sinônimo de antes e as relações estabelecidas pelas preposições por e de são, respectivamente:
- Brasília ante fumaça densa; primeiramente; consequência; modo.
- Brasília entre fumaça densa; preteritamente; consequência; modo.
- Brasília com fumaça densa; provavelmente; modo; companhia.
- Brasília sob fumaça densa; preferencialmente; causa; causa.
- Brasília sobre fumaça densa; principalmente; causa; companhia.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A letra D está correta porque preserva o sentido original em cada item pedido.
A reescrita Brasília sob fumaça densa emprega sob no sentido de “coberta por”, mantendo a ideia de imersão total na fumaça — mais apropriada que preposições que atenuam ou deslocam o sentido.
O advérbio preferencialmente equivale a antes no contexto: indica que os mais pobres são atingidos em primeiro lugar, isto é, com primazia ou prioridade de impacto.
As preposições por e de, nas frases analisadas, exprimem causa. Em “Sobem os óbitos por problemas respiratórios”, os problemas respiratórios são a causa dos óbitos; em “matar de sede”, a sede é a causa que leva à morte.
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