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Questão FC218106

Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão. SONETO VIII Pede o desejo, dama, que vos veja, Não entende o que pede, está enganado. É este amor tão fino e tão delgado1,

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

VUNESP · 2024

Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.

SONETO VIII

 

Pede o desejo, dama, que vos veja,

Não entende o que pede, está enganado.

É este amor tão fino e tão delgado1,

Que quem o tem não sabe o que deseja.

 

Não há cousa a qual natural seja

Que não queira perpétuo seu estado,

Não quer logo o desejo o desejado,

Por que não falte nunca onde sobeja2.

 

Mas este puro afeito3 em mim se dana,

Que como a grave4 pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.

 

Assi5 o pensamento (pela parte

Que vai tomar de mim, terrestre, humana)

Foi, senhora, pedir esta baixeza.

(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)

1 delgado: delicado.

2 sobejar: sobrar, ter em excesso.

3 afeito: afeto, sentimento.

4 grave: pesada.

5 assi: assim.

 

“Que como a grave pedra tem por arte

O centro desejar da natureza.”

 

Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte forma:

  1. Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza.
  2. Que a grave pedra, por natureza, tem como desejar o centro da arte.
  3. O centro da arte tem que desejar a pedra grave como por natureza.
  4. O centro grave da pedra tem, por arte, que desejar como a natureza.
  5. Como por arte da natureza, o centro tem que desejar a pedra grave.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A forma indicada — Como a pedra grave tem que desejar o centro por arte da natureza. — é a reescrita em ordem direta da oração comparativa do soneto.

Como atua como conjunção comparativa, introduzindo a oração que estabelece a analogia com a pedra.

A pedra grave é o sujeito; tem é o núcleo verbal da oração; o segmento que desejar o centro funciona como complemento verbal (o verbo "tem" exige essa estrutura para indicar a necessidade/propensão) e o centro é o objeto direto do infinitivo "desejar".

Por arte da natureza é adjunto adverbial que explica a causa/modo dessa propensão — ou seja, por força natural. Assim, a ordem escolhida apresenta claramente as funções sintáticas e preserva o sentido: o afeito do eu lírico é tão natural e inevitável quanto a inclinação da pedra em direção ao centro pela natureza.

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