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Questão FC218138

Leia o texto para responder à questão abaixo. Nunca houve tanto diagnóstico de transtorno neurológico infantil. Em apenas um ano, entre 2022 e 2023, cerca de 200 mil crianças e ado

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

VUNESP · 2025

Leia o texto para responder à questão abaixo.

Nunca houve tanto diagnóstico de transtorno neurológico infantil. Em apenas um ano, entre 2022 e 2023, cerca de 200 mil crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foram matriculados em salas de aula comuns no Brasil, um aumento de 50% segundo o Censo de Educação Básica. Mais do que uma questão para as famílias, esse cenário reflete um novo desafio nos colégios, que só deve crescer neste ano: o de como lidar com salas de alunos cada vez mais diversas e complexas.

 

Toda criança atípica tem direito a adaptação escolar para que consiga acompanhar pedagogicamente sua turma. “O papel da escola é ensinar da maneira que a criança aprende. A professora colocar todo mundo na cadeira, passar uma fórmula e, se o aluno não atingir a nota, ele é que é errado não é a essência da escola”, afirma a neuropsicopedagoga Ingrid Garrido. “O cérebro da criança atípica não funciona desse jeito. Então é essa criança que vai sempre para a coordenação, é essa que vão achar que é mal educada.”

 

“Quando saímos da licenciatura não estamos preparados nem para os alunos considerados típicos, quanto mais para os atípicos. Aprende-se na marra!”, brinca a professora Rosangela Senger, que está há 33 anos na profissão e já teve sala em que um aluno tinha TEA, três TDAH e um TOD (transtorno opositor desafiador). Para Rosangela, trabalhar em parceria com a família e os terapeutas é o melhor caminho, independentemente da necessidade em questão. “Não acredito que seja papel somente da escola oferecer a formação ao professor, mas este precisa buscar um aprofundamento para que seus alunos se desenvolvam da melhor forma. Mas te digo: ultimamente, a falta de limite, interesse e respeito de alunos considerados típicos é a nossa maior luta diária.”

 

(Luciana Garbin. Há cada vez mais diagnóstico de TDAH, autismo e outros transtornos: pais e escolas estão preparados? Disponível em: www.estadao.com.br/cultura, 12.02.2025. Adaptado)

 

Na opinião da professora Rosangela Senger,

  1. a escola deve oferecer formação especializada para o professor que assume salas com alunos atípicos, principalmente se ele não procura se especializar.
  2. embora trabalhar com alunos atípicos seja desafiador, a adversidade contemporânea é sobretudo lidar com o desprezo dos alunos típicos pela escola.
  3. não levar os transtornos tão a sério, como fazem a escola e os terapeutas, é a melhor saída para conseguir trabalhar com salas em que há alunos atípicos.
  4. o maior desafio de sua carreira foi trabalhar com uma sala de aula em que cinco alunos tinham diagnósticos distintos de transtorno neurológico.
  5. o deficit na formação acadêmica de professores em relação a transtornos neurológicos é a razão pela qual crianças atípicas não conseguem aprender.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A professora Rosangela reconhece que trabalhar com alunos atípicos é desafiador, mas afirma que o problema central hoje é outro. Ela diz: “ultimamente, a falta de limite, interesse e respeito de alunos considerados típicos é a nossa maior luta diária.”

Ao destacar essa frase, Rosangela aponta que a adversidade contemporânea não se resume às necessidades especiais, mas ao desprezo e à indisciplina de muitos alunos tidos como típicos, que comprometem a rotina pedagógica e a inclusão.

Mesmo defendendo parceria com família e terapeutas e a busca de formação docente, ela apresenta como prioritário o enfrentamento da falta de limites e do desinteresse dos estudantes típicos como o desafio mais presente nas escolas.

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