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Questão FC218142

Leia o texto a seguir para responder à questão. Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá,

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

VUNESP · 2025

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém reclamava.

 

Quando menino, me parecia uma distância enorme apercorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integralmente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em seu consultório.

 

A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.

 

O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”, ondulações que me faziam pensar no plano inclinado de um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio doMatadouro Municipal.

 

A fazenda parecia longe, também, pela diferença de temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acordavam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.

 

Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madrugadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofrimento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos mandava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse) três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.

(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br

/cultura/ humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)

 

De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que a família do autor era

  1. humilde.
  2. irresponsável.
  3. desunida.
  4. numerosa.
  5. destemida.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Numerosa.

O texto traz indicação direta: o autor descreve “um casal que se desdobrou numa dezena de crias”. Essa expressão afirma claramente que houve cerca de dez filhos, caracterizando uma família de grande porte.

Além disso, o narrador menciona nomes de irmãos (Rodrigo e Otávio) e o uso repetido de Kombis como “única solução automobilística”, o que reforça a ideia de many integrantes a serem transportados.

Outra passagem corrobora: os pais cediam frequentemente lugares no carro a pessoas mais idosas, obrigando as crianças a descerem e seguirem a pé — comportamento típico quando há muitos filhos competindo por poucos assentos.

Portanto, a conclusão de que a família era numerosa decorre de evidência textual explícita e de indícios situacionais presentes no trecho.

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