Questão FC218165
Leia o texto a seguir para responder à questão. Medo e coragem Estamos habituados a considerar a coragem a ausência de medo. “Fulano é corajoso, não tem medo de nada!”. Bem, uma pe
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
VUNESP · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Medo e coragem
Estamos habituados a considerar a coragem a ausência de medo. “Fulano é corajoso, não tem medo de nada!”. Bem, uma pessoa assim pode ser admirável, mas não penso que a palavra “coragem” seja a mais adequada para qualificar um temerário. Sim: aquele que não teme nada é chamado “temerário”. Pode cometer loucuras, colocar-se em grandes riscos, não porque saiba enfrentar seus medos, e sim porque os ignora.
Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas. Há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos – e também uma boa dose de generosidade – nesses que pulam no abismo para tentar salvar alguém que está caindo. Morrerá, certamente, junto com aquele que tentou resgatar. Se o temerário não pode ser confundido com o corajoso, várias vezes age por impulsos cegos de generosidade.
Mas a coragem, a meu ver, exige uma volta a mais no parafuso da impetuosidade. Não se trata de ignorar o perigo, e sim de enfrentá-lo. Enfrentar perigos com cuidado, com astúcia, lançando mão de todos os recursos possíveis diante de uma situação ameaçadora – a isso quero chamar de coragem.
(Maria Rita Kehl, “Medo e coragem”, Revista E. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/editorial/sobre-a-coragem/. Adaptado)
Na frase “Estamos habituados a considerar a coragem a ausência de medo” (1o parágrafo), o trecho destacado pode ser substituído, mantendo o sentido original, por
- coragem na ausência de medo.
- coragem para a ausência de medo.
- coragem como a ausência de medo.
- coragem sobre a ausência de medo.
- coragem da ausência de medo.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Coragem como a ausência de medo mantém o sentido original porque preserva a relação de equivalência entre sujeito e predicativo. Na construção do enunciado, considerar funciona com um complemento predicativo: dizer que se atribui a algo determinada qualidade ou condição.
Ao inserir como, estabelece-se explicitamente essa equivalência: "considerar a coragem como a ausência de medo" = atribuir à coragem a condição de ausência de medo. A concordância e os artigos permanecem intactos, e não há alteração semântica, apenas uma marcação mais clara da função do termo que segue.
Portanto, a substituição é adequada e fiel ao sentido original do trecho.
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