Questão FC218166
Leia o texto a seguir para responder à questão. Medo e coragem Estamos habituados a considerar a coragem a ausência de medo. “Fulano é corajoso, não tem medo de nada!”. Bem, uma pe
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
VUNESP · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Medo e coragem
Estamos habituados a considerar a coragem a ausência de medo. “Fulano é corajoso, não tem medo de nada!”. Bem, uma pessoa assim pode ser admirável, mas não penso que a palavra “coragem” seja a mais adequada para qualificar um temerário. Sim: aquele que não teme nada é chamado “temerário”. Pode cometer loucuras, colocar-se em grandes riscos, não porque saiba enfrentar seus medos, e sim porque os ignora.
Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas. Há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos – e também uma boa dose de generosidade – nesses que pulam no abismo para tentar salvar alguém que está caindo. Morrerá, certamente, junto com aquele que tentou resgatar. Se o temerário não pode ser confundido com o corajoso, várias vezes age por impulsos cegos de generosidade.
Mas a coragem, a meu ver, exige uma volta a mais no parafuso da impetuosidade. Não se trata de ignorar o perigo, e sim de enfrentá-lo. Enfrentar perigos com cuidado, com astúcia, lançando mão de todos os recursos possíveis diante de uma situação ameaçadora – a isso quero chamar de coragem.
(Maria Rita Kehl, “Medo e coragem”, Revista E. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/editorial/sobre-a-coragem/. Adaptado)
Considere o seguinte trecho do 2º parágrafo:
• “Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas. Há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos…”
Mantendo o sentido original e a correção gramatical, esse trecho pode ser reescrito como:
- Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas, visto que há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos…
- Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas, onde há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos…
- Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas, no entanto há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos…
- Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas, para a qual há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos…
- Não devemos, por isso, desqualificar a impetuosidade dessas pessoas, assim há muita pulsão de vida, muita vontade de não ficar à margem dos acontecimentos…
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Gabarito
A
Comentário do professor
A frase proposta mantém o sentido original porque transforma duas orações separadas em uma estrutura causal unificada: visto que funciona como conjunção que introduz a oração subordinada causal (“há muita pulsão de vida...” ), justificando a ideia da oração principal (“Não devemos, por isso, desqualificar...” ).
Do ponto de vista gramatical, a combinação é correta: o conectivo causal preserva a relação de sentido entre as partes, e a vírgula antes de visto que é adequada para marcar a separação entre a ideia principal e a justificativa explicativa.
Assim, a reescrita conserva o conteúdo e melhora a coesão, ligando explicitamente a ação de não desqualificar à razão apresentada em seguida.
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