Questão FC218174
Leia o texto a seguir para responder à questão. Ocaso do transporte público em São Paulo A população da Região Metropolitana de São Paulo está se deslocando menos, revelou a pesqui
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
VUNESP · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ocaso do transporte público em São Paulo
A população da Região Metropolitana de São Paulo está se deslocando menos, revelou a pesquisa Origem e Destino (OD), o mais detalhado levantamento sobre mobilidade urbana do Brasil, que o Metrô paulista realiza desde 1967.
Em 2023, segundo a OD, o volume de viagens diárias recuou 15,1% em relação a 2017, para 35,661 milhões. Isoladamente, esta queda no número de deslocamentos não é um problema. Uma série de mudanças tecnológicas e comportamentais permite que, na atualidade, não seja preciso sair de casa para ir ao banco, à escola ou fazer compras, por exemplo.
Mas, enquanto a queda geral nas locomoções por si só não é negativa, o fato de a pesquisa ter captado, pela primeira vez em mais de duas décadas, que os deslocamentos por transporte individual (51,2%) superaram os realizadospor meio de transporte coletivo (48,8%) deveria tirar o sono dos gestores públicos.
Era questão de tempo, que a pandemia acabou por acelerar. Levantamentos anteriores já detectavam que a utilização do transporte público vinha em declínio. Agora a curva finalmente se inverteu. Percentualmente, o uso do transporte coletivo recuou 19,8% entre 2017 e 2023; foram 3 milhões de viagens/dia a menos via modais públicos.
Mundo afora, metrópoles populosas e ricas privilegiam o transporte coletivo, o que só traz benefícios tanto para os residentes quanto para os gestores públicos: a população economiza e perde menos tempo em engarrafamentos, enquanto os administradores contribuem com a redução da poluição, o que é cada vez mais necessário em tempos de extremos climáticos, e gastam menos com ações de socorro no trânsito, haja vista a queda no número de acidentes.
Insuficiente e ineficiente, o transporte público seguirá perdendo usuários e, consequentemente, receitas, tornando a complexa gestão financeira do sistema de transporte público ainda mais desafiadora. Já os mais necessitados seguirão comprometendo a própria renda para conseguir o básico: se deslocar.
(Opinião. https://www.estadao.com.br, 15.02.2025. Adaptado)
O problema que os dados da pesquisa Origem e Destino (OD) trazem à luz diz respeito ao fato de
- os deslocamentos por meio de transporte coletivo terem ficado em torno de 3 milhões de viagens/dia após a pandemia.
- as mudanças tecnológicas e comportamentais terem permitido atividades remotas, que dispensam deslocamentos.
- as pessoas terem começado a alternar as formas de deslocamento, com prioridade ao transporte coletivo.
- os deslocamentos por transporte individual terem superado os realizados por meio de transporte coletivo.
- os deslocamentos das pessoas terem se tornado mais demorados, independentemente do meio que optaram por utilizar.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Origem e Destino (OD) revela que o principal problema apontado é o fato de os deslocamentos por transporte individual terem superado os realizados por transporte coletivo, com 51,2% contra 48,8%.
Esse quadro não é apenas estatístico: traduz a perda de atratividade do transporte público — agravada pela pandemia — e sinaliza uma inversão de tendência que vinha se mantendo por décadas.
Na prática, a superioridade dos modais individuais implica redução de receitas para o sistema coletivo, aumento de congestionamentos, maior poluição e a ampliação da desigualdade no acesso à mobilidade, já que os mais vulneráveis continuam dependendo de serviços sem recursos.
Portanto, a questão destaca um problema de planejamento e gestão pública que exige ações para recuperar a oferta, a eficiência e a sustentabilidade do transporte coletivo.
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