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Questão FC218186

Leia o trecho a seguir do conto “Missa do Galo” para responder a questão seguinte: Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete,

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

VUNESP · 2025

Leia o trecho a seguir do conto “Missa do Galo” para responder a questão seguinte:

Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.

 

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa*; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Menezes trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça*; mas, afinal, resignara-se, acostumara- se, e acabou achando que era muito direito.

 

Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos.

 

(Machado de Assis. Contos)

 

*À socapa: disfarçadamente

*Comborça: amante

 

As ideias contidas na passagem do 2° parágrafo “Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo.”, se fossem enunciadas pelo escrivão Menezes, assumiriam a seguinte forma:

  1. O rapaz nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer que eu ia lá, pediu-me que o levasse consigo.
  2. O rapaz nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo-o dizer que ia lá, pediu-me que o levasse comigo.
  3. O rapaz nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo-o dizer ao Menezes que ia lá, pediu-me que o levasse consigo.
  4. O rapaz nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo-me dizer que eu ia lá, pediu-me que o levasse comigo.
  5. O rapaz nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer que o Menezes ia lá, pediu-lhe que o levasse consigo.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Transformação de enunciador: para que Menezes passe a enunciar as mesmas ideias há de ocorrer troca de deíxeis e pronomes. O narrador em 1.ª pessoa (“eu”) vira “o rapaz” do ponto de vista de Menezes; o próprio Menezes, antes referido por nome, torna‑se “me/ eu” no discurso transmitido.

Assim, preservam‑se os tempos verbais (“nunca tinha ido”) e a estrutura de discurso indirecto, mas alteram‑se as referências: “ouvindo dizer ao Menezes que ia ao teatro” passa a “ouvindo‑me dizer que eu ia lá”, e “pedi‑lhe que me levasse consigo” transforma‑se em “pediu‑me que o levasse comigo”, exatamente como apresenta a alternativa D.

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