Questão FC218223
Leia o texto para responder à questão abaixo. A representação do gênero na escola pode ser descrita como segue: trata-se de levar o aluno ao domínio do gênero, exatamente como este
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
VUNESP · 2025
Leia o texto para responder à questão abaixo.
A representação do gênero na escola pode ser descrita como segue: trata-se de levar o aluno ao domínio do gênero, exatamente como este funciona (realmente) nas práticas de linguagem de referência. Assim, estas últimas constituem, senão uma norma a atingir de imediato, ao menos um ideal que permanece como um alvo. Decorre daí que textos autênticos do gênero considerado entram tais e quais na escola. Uma vez dentro desta, trata-se de (re)criar situações que devem reproduzir as das práticas de linguagem de referência, com uma preocupação de diversificação claramente marcada. O que é visado é o domínio, o mais perfeito possível, do gênero correspondente à prática de linguagem para que, assim instrumentado, o aluno possa responder às exigências comunicativas com as quais ele é confrontado.
(Bernard Schneuwly & Joaquim Dolz. Gêneros orais e escritos na escola, 2004)
No texto, os autores fazem uma crítica à representação do gênero na escola quanto
- à utilização de gêneros autênticos pelos alunos.
- à pouca diversidade de gêneros nas práticas de linguagem.
- a uma ênfase nos aspectos sociais de sua circulação.
- a uma concepção instrumental dos gêneros.
- à insistência nos aspectos relativos à reflexão sobre a progressão.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Concepção instrumental refere-se à visão dos gêneros como ferramentas a serem dominadas mecanicamente. No texto, os autores criticam exatamente essa ideia: a escola busca o domínio perfeito do gênero, copiando textos autênticos e reproduzindo situações-modelo como se fossem normas fixas.
Essa postura transforma o ensino em treino de formas padronizadas, preocupando-se mais com a reprodução do modelo do que com a compreensão das práticas sociais em que o gênero circula.
Como consequência, o aluno aprende a mimetizar enunciados em vez de mobilizar recursos linguísticos conforme finalidades e contextos reais.
Os autores propõem afastar-se desse instrumentalismo e reconhecer os gêneros como práticas comunicativas, históricas e dinâmicas, que exigem abordagem contextualizada e reflexiva.
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