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Questão FC218230

Leia o texto para responder à questão abaixo. As Estrelas Lá, nas celestes regiões distantes, No fundo melancólico da Esfera, Nos caminhos da eterna Primavera Do amor, eis as estre

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

VUNESP · 2025

Leia o texto para responder à questão abaixo.

 

As Estrelas

 

Lá, nas celestes regiões distantes,

No fundo melancólico da Esfera,

Nos caminhos da eterna Primavera

Do amor, eis as estrelas palpitantes.

 

Quantos mistérios andarão errantes,

Quantas almas em busca da Quimera,

Lá, das estrelas nessa paz austera

Soluçarão, nos altos céus radiantes.

 

Finas flores de pérolas e pratas,

Das estrelas serenas se desata

Toda a caudal das ilusões insanas.

 

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,

Se as estrelas não são ais perdidos

Das primitivas legiões humanas?!

 

(Cruz e Sousa. Broquéis; Faróis; Últimos Sonetos, 2008)

 

De acordo com a análise da poética de Cruz e Souza feita por Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira, 2015), a leitura de As Estrelas permite concluir corretamente que

  1. a utilização do soneto, forma fixa com dois quartetos e dois tercetos, traduz a racionalidade linguística que se alia à objetividade do tema abordado pelo eu lírico.
  2. o emprego de substantivos abstratos e adjetivos tem por finalidade a criação no poema do clima sugestivo e misterioso pretendido pelo eu lírico.
  3. a imprecisão vocabular presente nos dois quartetos se desfaz nos dois tercetos, nos quais o eu lírico abandona a descrição subjetiva do sofrimento humano.
  4. a referência à condição humana se estabelece no poema por meio de antíteses, com as quais o eu lírico retrata o embate entre corpo e espírito.
  5. o eu lírico se vale de metáforas ao longo do poema para explicitar a sua mensagem, que valoriza a racionalidade para o conhecimento humano.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Substantivos abstratos (por exemplo: mistérios, ilusões, ais) e adjetivos (como melancólico, austera, serenas) dominam o poema.

Essas escolhas reduzem a presença do concreto e enfatizam estados de alma e qualidades, criando imagens vagas e simbólicas que não descrevem objetos, mas sensações e atmosferas.

O efeito é a construção de um clima sugestivo e misterioso: as palavras funcionam como sinais emotivos que evocam saudade, enigma e distância cósmica, em vez de representar realidade objetiva.

Assim, o eu lírico transmite uma experiência interior visionária típica do simbolismo, em que a linguagem abstrata e adjetiva serve para provocar impressão e mistério, como indicado pela análise de Bosi.

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