Questão FC218235
Leia o texto para responder à questão abaixo. Dona Domingas é uma preta boa igual ao pão. Calma e util. Quando a Leila ficou sem casa foi morar com a Dona Domingas. ... A Dona Domi
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
VUNESP · 2025
Leia o texto para responder à questão abaixo.
Dona Domingas é uma preta boa igual ao pão. Calma e util. Quando a Leila ficou sem casa foi morar com a Dona Domingas.
... A Dona Domingas era quem lavava a roupa da Leila, que lhe obrigou a dormir no chão e lhe dar o leito. Passou a ser a dona da casa. Eu dizia:
– Reage, Domingas!
– Ela é feiticeira, pode botar um feitiço em mim.
– Mas o feitiço não existe.
– Existe sim. Eu vi ela fazê.
É porque a Leila andava dizendo que consertava vidas.
E eu vi varias senhoras ricas aparecer por aqui. Havia a tal Dona Guiomar, Edviges Gonçalves, a mulher que tem vários nomes e varias residências porque compra a prestação e não paga e dá o nome trocado onde compra. Quando sai na rua parece a Maria Antonieta. E a Dona Guiomar concorreu para escravisar a Dona Domingas. (...) A Dona Domingas recebe uma pensão do seu extinto esposo. E era obrigada a dar dinheiro para a Leila que é companheira do Arnaldo. Ele sendo compadre da Domingas, era para defender a comadre. Mas ele explorava. Dividia o dinheiro entre os dois. E ainda praticava suas cenas amorosas perto do afilhado.
(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo – diário de uma favelada)
Embora se trate de texto escrito, a narrativa de Carolina Maria de Jesus faz uso de continuadores textuais típicos da fala.
É o caso do termo
- “onde”: ... e não paga e dá o nome trocado onde compra.
- “que”: É porque a Leila andava dizendo que consertava vidas.
- “quando”: Quando a Leila ficou sem casa foi morar com a Dona Domingas.
- “e”: E a Dona Guiomar concorreu para escravisar a Dona Domingas.
- “quem”: A Dona Domingas era quem lavava a roupa da Leila...
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Gabarito
D
Comentário do professor
“e” funciona aqui como continuador textual: é uma conjunção coordenativa que, no contexto narrativo, assume papel de marcador discursivo, ligando a frase seguinte ao que já foi dito e mantendo o fluxo da fala.
Como elemento oral, a partícula introduz um acréscimo ou sequência de eventos (adição/sequência) sem fechamento formal; não separa ideias com pontuação elaborada, mas continua o relato de modo imediato e coloquial.
Esse uso confere oralidade e imediatismo ao texto — traço característico do diário de Carolina Maria de Jesus —, reproduzindo o ritmo da conversação e favorecendo a coesão local entre enunciados.
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