Questão FC242180
Daqui a vinte e cinco anos Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas
Ortografia
CESGRANRIO · 2015
Daqui a vinte e cinco anos
Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram os primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação econômica mais digna de um homem, de uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se não sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muitíssimo mais depressa, porém, do que em vinte e cinco anos, porque não há mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crianças são verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal é a miséria, que se justificaria ser decretado estado de prontidão, como diante de calamidade pública. Só que é pior: a fome é a nossa endemia, já está fazendo parte orgânica do corpo e da alma. E, na maioria das vezes, quando se descrevem as características físicas, morais e mentais de um brasileiro, não se nota que na verdade se estão descrevendo os sintomas físicos, morais e mentais da fome. Os líderes que tiverem como meta a solução econômica do problema da comida serão tão abençoados por nós como, em comparação, o mundo abençoará os que descobrirem a cura do câncer.
LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 33.
No trecho “E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos”, verifica-se a grafia adequada da expressão destacada, uma vez que funciona como conjunção explicativa. A frase em que a expressão em destaque também está adequadamente empregada é
- Não se sabe por que a desigualdade social ainda existe.
- É comum não se compreender o por quê da fome no país.
- Por quê os políticos não se movimentam para acabar com a fome?
- O povo liderará os governantes por que tem maior maturidade política.
- A fome é uma doença, mas não se entende por que.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase Não se sabe por que a desigualdade social ainda existe, a expressão por que está correta porque introduz uma oração interrogativa indireta com sentido de "por qual motivo". Trata‑se da junção da preposição por com o pronome interrogativo que, usada para perguntar (direta ou indiretamente) a razão de algo.
Um teste simples: substitua por "por qual motivo" — funciona perfeitamente: Não se sabe por qual motivo a desigualdade social ainda existe. Isso confirma o uso de por que.
De forma resumida: use por que em perguntas ou orações interrogativas indiretas; reserve porque para explicações causais, porquê como substantivo e por quê quando a expressão aparecer no final da frase.
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